Efeito de remédio pode explicar machucados de Hasselmann

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Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

2 agosto 2021

Editor

As fraturas e hematomas da deputada Joice Hasselmann (PSL) podem estar relacionadas ao efeito colateral de um medicamento prescrito para insônia; saiba que remédio é esse e conheça soluções naturais para nunca precisar recorrer a ele

Nas últimas semanas, o despertar da deputada federal Joice Hasselmann (PSL) com fraturas e hematomas pelo corpo gera preocupação e curiosidade. O que, de fato, houve com a parlamentar? A polícia ainda investiga o caso, mas a resposta pode ter a ver com efeitos colaterais de um remédio que teve aumento de vendas em 560%.

Após perícias realizadas pela polícia, foi concluído que ninguém entrou em seu apartamento, em Brasília, e a possibilidade do marido ser o responsável pelos machucados também foi descartada.

O centro das investigações chegou ao stilnox, o medicamento à base de zolpidem, usado pela deputada já há 20 anos. Receitado geralmente para problemas de insônia — problema que afeta quase 75 milhões de brasileiros —, o remédio é conhecido por seus severos efeitos colaterais.

Entre eles, está a diminuição ou perda total da memória. Ele pode, inclusive, fazer o paciente vivenciar coisas que não ficam retidas nas lembranças. Apesar de acreditar que sofreu um atentado, Hasselmann contou à polícia que tomou o remédio antes de dormir, na noite daquele 18 de julho.

O uso do medicamento se torna ainda mais preocupante porque esses efeitos não são levados a sério pela indústria farmacêutica, que só faz aumentar a sua prescrição a pacientes insones.

De acordo com um levantamento da Associação Brasileira do Sono, as vendas de zolpidem cresceram 560% entre 2011 e 2018 no Brasil. Neste último ano, foram compradas 11,4 milhões de caixas do medicamento no país.

Entendendo os outros — grandes — riscos que o zolpidem pode causar, chegaremos a soluções naturais seguras e eficazes para que esse medicamento nunca mais vire uma opção. 

O que é o zolpidem?

O zolpidem é vendido sob prescrição médica e pertence a uma classe de medicamentos chamados hipnóticos. Eles são usados ​​para tratar condições de insônia ou até mesmo ansiedade.

No organismo, o remédio aumenta a atividade do GABA (Ácido gama-aminobutírico) — um neurotransmissor que tem, entre outras funções, a de acalmar o cérebro e causar sonolência. Porém, o que pouco se fala é que os efeitos colaterais do zolpidem podem ser graves. 

São eles:

  • Perda de memória;
  • Sonambulismo;
  • Pensamentos comportamentais anormais;
  • Sintomas depressivos;
  • Reações alérgicas respiratórias;
  • Alucinações;
  • Náuseas;
  • Pesadelos;
  • Dores de cabeça;
  • Dores no peito;
  • Palpitações cardíacas;
  • Diarreia; e 
  • Tontura.

Dado a esses sintomas recorrentes, a investigação acredita que Hasselmann pode, sim, ter tido uma perda de memória e sofrido de quedas enquanto estava sob efeito da medicação. Isso explicaria o seu despertar com fraturas, hematomas e dentes quebrados. A polícia ainda investiga para confirmar a suspeita.

Alternativas ao Zolpidem

O médico e especialista da Jolivi, Dr. Carlos Schlischka, endossa os riscos do uso dessa medicação. “Como aconteceu com a deputada, as lesões do zolpidem podem ser graves devido às suas propriedades farmacológicas. Ele diminui drasticamente os níveis de consciência e os resultados podem chegar, sim, aos machucados sérios como ela teve”, relata.

Além do zolpidem, o Dr. Carlos tem a lista de outros 7 medicamentos mais perigosos para a sua saúde

Há, entretanto, soluções naturais que são alternativas para se livrar da dependência  do uso do zolpidem. Elas não trazem efeitos colaterais, são seguras e ainda proporcionam saúde e bem-estar ao organismo. 

Entre as recomendações do Dr. Carlos para garantir uma boa noite de sono e diminuir a insônia crônica está o extrato de camomila.

Melhora o sono em 28 dias

A recomendação da camomila, feita pelo Dr. Carlos, não é à toa. Uma pesquisa desenvolvida pela Kashan University of Medical Sciences, no Irã, comprovou a eficácia do uso do extrato de camomila na saúde do sono de 60 idosos com 60 anos ou mais.

Todos eles são moradores de um asilo localizado na cidade de Karaj e tinham algum distúrbio do sono. O grupo recebeu cápsulas de extrato de camomila (200mg) duas vezes ao dia por 28 dias consecutivos. 

A qualidade do sono foi avaliada em quatro momentos: primeiro, antes do experimento; depois, duas semanas após o início; em seguida, imediatamente após o término; por fim, duas semanas após o fim da intervenção. Os resultados mostraram que a qualidade do sono (em todas as suas fases) melhorou significativamente após a intervenção dos pesquisadores.

Considerando que Hasselmann usa o zolpidem há 20 anos, o seu desmame já poderia ter acontecido com a ajuda da camomila.

“Além disso, é importante manter a higiene do sono e fazer terapia de relaxamento. A acupuntura é outra alternativa que proporciona o ótimo efeito em prol do sono e do relaxamento físico”, complementa o médico.

O Dr. Carlos faz um alerta: como o zolpidem é um medicamento agressivo, é essencial que o paciente que opte pelo desmame e pela troca por soluções naturais reduza gradualmente as doses, com acompanhamento médico.

Entenda outras recomendações do Dr. Carlos quanto a remédios perigosos vendidos pelas farmacêuticas

Referência:

Adib-Hajbaghery M, Mousavi SN. The effects of chamomile extract on sleep quality among elderly people: A clinical trial. Complement Ther Med. 2017 Dec;35:109-114. doi: 10.1016/j.ctim.2017.09.010. Epub 2017 Oct 13. PMID: 29154054.

 

Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

2 agosto 2021

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