Sua Saúde

Oito rotas de fuga do Diabetes

 

Você está com excesso de peso?

Sempre prefere doce a fruta na sobremesa?

Legume é algo do tipo “nunca vi, nem comi eu só ouço falar”?

Está sem tempo para exercícios físicos, mas de 2016 não passa?

Respondeu sim para algumas perguntas anteriores?

 

É, amigo, as suas confirmações aos questionamentos acima te colocam no alvo do diabetes tipo 2, doença já devidamente instalada em 12 milhões de brasileiros (que já a identificaram – porque muitos nem sabem que a tem) e que é companheira fiel de outros malfeitores como infarto e acidente vascular cerebral.

Mas isso, provavelmente, você já sabe.

E deve padecer de uma dificuldade insana em mudar de hábito, assim como 52,5% dos brasileiros com excesso de peso e 80% dos que são sedentários – contabilizados no inquérito do Ministério da Saúde.

Sou médico, consultor da Jolivi e sei bem sobre os efeitos nocivos desta teimosia insistente em gerenciar os fatores de risco. E infelizmente aprendi, junto de minha família, da pior forma possível.

Perdi meu pai, aos 60 anos para o diabetes – doença que é a quinta mais letal entre os brasileiros e que pode ser prevenida com ações simples, práticas e que não exigem tanto sacrifício como se imagina.

Por isso, hoje, vou planejar a sua saída do alvo do diabetes.

Antes é bom alertar – aí vai uma informação que você não deve saber – o cérebro é um dos órgãos mais afetados por este problema metabólico. Sim, o cérebro. Por outro lado, está exatamente em sua programação cerebral a chance de não sofrer as piores sequelas da doença.

 

Eles – de fato – funcionam

Seguindo adiante.

Se alguém te comprovasse por A + B como ganhar mais dinheiro no final do mês, você seguiria fielmente as recomendações?

Suponho que sim.

Pois bem, a escolha alimentar correta e a atividade física frequente são ações comprovadamente efetivas para que você tenha mais saúde.

Tão efetivas que, de acordo com um estudo público no The New England Journal of Medicine, os pré-diabéticos – pessoas que já conviviam com índices alterados de glicemia, mas ainda não podem ser enquadrados como portadores do problema – reduziram em 58% o risco de desenvolver a doença.

Por que, então, não adotamos estes hábitos?

Talvez, falte explicar mais como estas ações, de fato, são influentes para tirar você do alvo do diabetes e até mesmo melhorar a condição clínica das pessoas que já estão com a doença em curso.

Vamos lá então.

 

Mecanismos de ação

Primeiro, vale explicar, quem são os potenciais diabéticos tipo 2.

Para ser deste “tipo 2”, o diabetes precisa estar ligado aos (péssimos) hábitos de vida. O tipo 1 é associado a um problema autoimune em que o corpo tem, naturalmente, dificuldade em metabolizar açúcar.

Um organismo frequentemente bombardeado pela dieta típica dos dias de hoje – com muito carboidrato (arroz, pães, massas), açúcar refinado, fast food e produtos industrializados – é um organismo cheio de glicose, potencialmente diabético.

Para sair da corrente sanguínea e chegar às células, a glicose da nossa alimentação precisa de insulina, hormônio produzido no pâncreas.

Cada refeição cheia de carboidratos e de açúcares significa carga extra de serviço para o pobre pâncreas. O órgão, então, fica cansado, exausto e começa a falhar na produção de insulina, o início do diabetes do tipo 2.

Além disso, em organismos já com excesso de peso, a insulina também tem mais dificuldade para transportar a glicose, devido ao estado de “inflamação” gerado pelos quilos a mais, estocando a energia em forma de gordura.

Do que você precisa para sair deste ciclo vicioso?

Você precisa escolher alimentos que dão férias para o pâncreas, tomar muita água para que o rim trabalhe mais e em boas condições para excretar toxinas, além de fazer exercícios físicos para ajudar o corpo a queimar este estoque de glicose extra que foi armazenado em forma de gordura.

 

Cérebro doente: diabetes tipo 3

Antes de continuar, uma alfinetada necessária e uma nota importante sobre os impactos do diabetes.

#Alfinetada: costumo dizer que nós só não temos tempo para incluir hábitos saudáveis em nossa rotina quando ainda não nos damos conta de que isso é uma prioridade. Normalmente, só fazemos isso em caso de urgência e “urgência” é diferente de “prioridade”.

#Nota importante: fazer escolhas alimentares estratégicas é programar o cérebro contra o diabetes, e também uma forma de ampliar a sobrevivência deste órgão – que é maestro do organismo.

Isso porque, as pesquisas já mostram que o Alzheimer e as demências podem ser chamados, inclusive, de “Diabetes tipo 3”.

Um dos estudos, publicado em julho de 2015 pelo American Academy of Neurology, acompanhou por dois anos 40 pessoas com idade média de 66 anos, metade com diabetes tipo 2. Ao final da pesquisa, os idosos diabéticos apresentaram pontuação menor nos testes de memória de capacidade de raciocínio. Além disso, eles tiveram mais dificuldade em executar tarefas como tomar banho e cozinhar.

 

Rota de fuga

Para ajudar o seu cérebro a fazer escolhas alimentares que aliviam a função do pâncreas, aceleram o trabalho dos rins e ainda ajudam a ter energia para começar os exercícios, listei 8 ações que são verdadeiras rotas de fuga do diabetes tipo 2.

Elas são aplicáveis à rotina de quem precisa almoçar ou jantar fora de casa, priorizam alimentos in natura, aceleram o metabolismo e são compostas por produtos que dão energia, mas não elevam muito a necessidade do corpo em produzir insulina (os chamados alimentos de baixo índice glicêmico).

Vamos então aos caminhos:

1)  Atenção: com fome, ninguém aprende a comer direito. Faça o planejamento de suas refeições quando estiver saciado (lista de mercado, lanches para entre as refeições, frutas que irá consumir ao longo do dia).

2) Aposte na batata doce ou abóbora assada. Estes dois alimentos oferecem energia por mais tempo ao corpo (espécies de bateria de longa duração), têm mais fibras e exigem menos insulina.

3) Coloque em vários saquinhos um mix de frutas secas com oleaginosas (damasco, ameixa, maçã, castanhas, sementes de girassol) e espalhe na bolsa, no ambiente de trabalho e em casa. Substitua as barras de cereais e bolachinhas por este mix. Elas são dois vilões mascarados que se apresentam como mocinhos da saúde.

4) Sempre acrescente fibras às refeições. Leve um potinho com chia, linhaça, quinoa, aveia ou amaranto e salpique as refeições feitas fora de casa. Esta técnica pode ser usada após fazer o prato no restaurante por quilo, por exemplo.

5)  Não adianta só falar que faz. Beba, realmente, oito copos de 200 ml de água ao longo do dia, mas não ao mesmo tempo em que faz as refeições.

6)  Inclua proteínas (carne, queijo magro, ovo, amaranto – sim, amaranto de novo) em todas as refeições, inclusive café da manhã.

7) Aposte no abacate, considerado um superalimento. Além de ampliar a saciedade, ter gordura do bem e dar energia, ele demora para ser absorvido pelo corpo e protege o organismo. Uma excelente forma de começar o dia ou intercalar o almoço e o jantar.

8)  Consuma realmente alimentos integrais. Reduza o consumo de glúten e lactose (os grandes vilões da inflamação que abordaremos em outra newsletter). Na hora de comprar um pão por exemplo, atenção ao rótulo. O primeiro componente descrito nas letras miúdas revela se o produto não é uma enganação. Muitos aparecem como integrais, mas são compostos majoritariamente por “farinha de trigo enriquecida”.

Não caia nesta cilada!

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