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Refluxo: o chá que humilha o omeprazol

Foto mostra uma mulher sentada no sofá, segurando os óculos e uma caneca de chá
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Lara Gabriela Cerqueira

Lara Gabriela Cerqueira

Nutricionista especializada em fitoterapia

CRM: CRN5 - 7899

Olá, tudo bem? Lara Gabriela Cerqueira falando. Nossa conversa de hoje será sobre refluxo e trago dicas práticas para quem sofre com o problema.

Vou te contar mais sobre um chá que pode te livrar do omeprazol — e dos perigos que esse medicamento traz.

Escolhi esse tema para a coluna de hoje porque o refluxo é um problema de saúde muito comum. 

Ele pode ter inúmeras causas, como os alimentos que você come e o estresse, e a melhor forma de eliminar o problema de uma vez é atuar sobre a origem do refluxo.

Mas eu sei que esse processo envolve mudar todo o seu comportamento e adotar um estilo de vida mais favorável ao seu estômago — e não quero te ver sofrendo nesse meio tempo.

Quais as origens do refluxo?

Tudo começa pelo estômago. Depois que um alimento passa pelo esôfago e chega ao estômago, uma válvula muscular chamada esfíncter esofágico inferior se fecha. Isso evita que a comida ou o ácido do estômago subam para o esôfago. 

Porém, se o esfíncter relaxa na hora errada, esse ácido do estômago sobe e isso provoca a queimação e o incômodo do refluxo.

Esse ácido, que você também conhece como ácido clorídrico, é importante para digerir os alimentos e garantir a absorção de seus nutrientes. Sem ele, o alimento estaciona — e fermenta — no seu estômago, o que causa gases, inchaços e as queimações. 

É aí que começam os desconfortos e você apela para um remedinho da família dos “prazois” — o omeprazol é o mais famoso deles. 

Esses medicamentos atuam no estômago para inibir exatamente a liberação em excesso do ácido clorídrico, mas não atuam na causa do refluxo.

O problema é que, quando consumidos frequentemente e a longo prazo, esses “prazois” trazem efeitos negativos, especialmente sobre a digestão e a absorção de nutrientes.

O uso contínuo desses medicamentos pode causar diminuição da absorção de cálcio, magnésio e vitamina B12. 

E a ausência dessas três substâncias pode levar à redução da densidade óssea, osteoporose, doenças cardiovasculares e até problemas cognitivos como o Alzheimer.

Se você faz parte desse grupo que consome os “prazois” de modo constante, sugiro que procure orientação médica para substituir esse uso regular pelo chá que vou te apresentar agora.

[Vídeo] Quais plantas são melhores que remédios?

Você já ouviu falar no suco refrescante que pode aliviar o refluxo? E no chá que tem poderosos efeitos anti-hipertensivos? Em vídeo inédito, a nutricionista Lara Gabriela Cerqueira, professora especializada em fitoterapia, revela tudo sobre o mundo das plantas medicinais.

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O chá que humilha o omeprazol

Enquanto você promove pequenas alterações na sua rotina para eliminar o refluxo, sugiro que você aposte no chá de espinheira-santa (Maytenus ilicifolia). 

A espinheira-santa é uma erva típica da América do Sul e fácil de ser encontrada em lojas de produtos naturais. Ela reduz a inflamação do trato digestivo e tem ação antiúlcera.

Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) - Imagem de Rosarinagazo, disponível na Wikimedia sob Domínio Público.

Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) – Imagem de Rosarinagazo, disponível na Wikimedia sob Domínio Público.

A ciência moderna já comprova a sabedoria popular em torno desse chá: um estudo publicado no Journal of Ethnopharmacology confirmou a ação da espinheira-santa contra a dor e também seu efeito anti-inflamatório.

O chá da Maytenus ilicifolia (não se esqueça de procurar por esse nome científico quando for comprar!) pode trazer alívio imediato da sensação de refluxo e também ajuda a tratar gastrite. 

Para fazer o chá, acrescente 1 colher de sobremesa de folhas secas (2g) na água fervente e faça a decocção por cinco minutos. 

Se você já conferiu o meu Tutorial do Chá Perfeito, já sabe que a decocção é quando deixamos a erva ferver junto com a água por algum tempo e talvez esteja se perguntando: mas, Lara, para folhas a melhor técnica não seria a infusão?

Nesse caso, como a folha da espinheira-santa é bem rígida, a decocção rápida funciona melhor que a infusão para extrair os compostos fitoquímicos (que são os responsáveis pelo efeito medicinal). 

Esses cinco minutos de decocção são suficientes para extrair os taninos que protegem o trato digestivo. Depois que desligar o fogo, deixe o chá descansar (ou seja, em infusão) por mais cinco minutos. Então é só beber!

A dose diária que eu recomendo é de 1 a 3 xícaras (de 150 ml cada) por dia — tome antes das principais refeições. Além disso, todo chá deve ser consumido com uma distância de 1h30 a 2h em relação a qualquer medicamento sintético.

Aqui deixo um alerta importante: gestantes e lactantes não podem consumir esse chá, pois ele pode prejudicar a gravidez e reduzir a produção de leite. 

O consumo do chá também não pode ultrapassar o período de 28 dias seguidos. 

Isso porque nosso corpo tende a se adaptar às ervas e elas podem perder sua ação terapêutica — bem diferente dos motivos pelos quais você deve evitar o uso prolongado dos “prazois”.

Por isso, o ideal é fazer um rodízio. Então, tome o chá de espinheira-santa por até 28 dias, depois troque para outro chá para o refluxo. Aí se quiser pode voltar para o primeiro chá, recomeçando o rodízio. 

Outra dica para quem tem refluxo é evitar o uso de plantas que relaxam a musculatura da região divisória entre os compartimentos do nosso trato digestivo. Uma delas é a hortelã.

Na edição deste mês da série Plantas & Bem-estar eu apresentei aos assinantes mais informações sobre o chá de espinheira-santa e também um segundo chá para usar nesse rodízio de ervas contra refluxo. 

Para saber como fazer parte do Plantas & Bem-estar, clique aqui

Espero que o chá de hoje te ajude a comer com mais tranquilidade!

Te espero na próxima,

Lara Gabriela Cerqueira

 

Referências:

 

  • JORGE, R. M. et al.. Evaluation of antinociceptive, anti-inflammatory and antiulcerogenic activities of Maytenus ilicifolia. Journal of Ethnopharmacology, Volume 94, Edição 1, 2004, Pages 93-100, ISSN 0378-8741, https://doi.org/10.1016/j.jep.2004.04.019.
  • MORSCHEL, Carine F. et al.. The relationship between proton pump inhibitors and renal disease. Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.) 2018;40(3):301-306. 

 

 

Lara Gabriela Cerqueira

Lara Gabriela Cerqueira

Nutricionista especializada em fitoterapia

CRM: CRN5 - 7899

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