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Quercetina, zinco e equinácea para COVID-19 e outras inflamações

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Fernanda Aranda

Especialista: Fernanda Aranda

Ouvi dizer que pandemia de COVID-19 será um marco histórico devido aos desdobramentos importantes que está trazendo.

É essa crise de proporções sociais, econômicas, comportamentais, políticas e sanitárias que vai determinar o início do século XXI. Será o que nossos descendentes lerão nos livros.

Ocorre também que estamos assistindo à evolução da medicina em tempo real.

A ciência, que está cara a cara com o coronavírus, segue tentando, diariamente, encontrar tratamento eficiente, diminuição de mortalidade, vacinas e uma possível cura.

 

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Não é sempre que médicos e cientistas vêm à TV para discutir efeitos, possibilidades e probabilidades de medicamentos e suplementos serem efetivos em doenças.

Estudos clínicos que, geralmente, ficam restritos aos profissionais de saúde, autoridades e jornalistas estão sendo discutidos amplamente pela sociedade.

Eu, confesso, estou gostando disso, caro leitor.

É preciso, entretanto, ter calma e parcimônia no momento de endossar as condutas.

É preciso também respeitar as incertezas e tentativas que os especialistas estão produzindo.

Ter confiança no incerto parece uma contradição, mas é isso que precisamos quando fazemos e consumimos ciência em tempo real.

Qual é a indicação da Jolivi sobre o uso da cloroquina?

Desde que a pandemia foi decretada, eu sabia que teríamos um esforço enorme por parte da indústria farmacêutica em “emplacar” um medicamento.

Porém, sem polêmicas e focando na ciência, eu sei que ao misturar grandes laboratórios e a velocidade com que ansiamos por uma resposta pode não ser uma grande negócio. Pelo menos para nós, consumidores.

E é com isso em mente que vou abordar a cloroquina e a hidroxicloroquina, dois remédios antigos que despontaram como solução mágica para a Covid-19.

Podemos dizer que o recente estudo publicado pela The Lancet tenha colocado um balde de água fria nas expectativas em relação ao usa da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Digo isso porque o artigo retrospectivo com mais de 90 mil vidas de pacientes internados não encontrou diminuição da mortalidade com o uso da hidroxicloroquina com associação de macrolídeos (um grupo de antibióticos, como a eritromicina).

E mais: ainda identificou o risco aumentado de arritmias (uma complicação cardíaca) nessa população usuária.

Isso colocaria uma “pá de cal” no uso da hidroxicloroquina para o COVID-19?

Na minha opinião, não necessariamente.

Ainda estamos em processo.

Não sabemos alguns vieses do estudo, quando e como a cloroquina e a hidroxicloroquina foi usada.

Será que o uso dela não seria mais adequado só para pacientes leves, atendidos precocemente e em regime ambulatorial, ou seja, com supervisão médica?

Pode ser, não temos essa resposta.

Será que a medicação faria mais efeito se associada ao zinco, nutriente (natural) que é tipo um “mágico” da imunidade?

Também não sabemos.

Ainda posso, contudo, ter outro pensamento mais à frente: será que essas pessoas com quadros mais leves precisariam qualquer tratamento?

Talvez não.

Digo isso porque, enquanto a ciência está sendo feita e mais estudos estão sendo conduzidos, eu fico sempre mais empolgada e entusiasmada com as chamadas substâncias naturais que podem, absolutamente, fazer toda a diferença.

Entretanto, por não serem financiadas por outros interesses, elas nem sempre vão mobilizar atenção e “paixões” como os remédios, entende?

Sabendo o que já sabemos sobre como o coronavírus tem funcionado, alguns de seus sintomas podem ser tratados com substâncias naturais.

Falo por exemplo do antioxidantes e outros ativos naturais, com muito menos chance de complicações e outros benefícios associados.

Eu gostaria de compartilhar 3 delas, que batizei de “triunvirato anti-inflamatório””

Meu trio é composto, lógico, pelo zinco, pela quercetina e pela equinácea.

Vou te contar as razões.

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3 substâncias naturais para Covid-19

Zinco: o nutriente anti-inflamatório essencial

Quero apontar aqui que muito dos sintomas de COVID-19 são parecidos com aqueles descritos pela deficiência de zinco.

Essa defasagem nutricional, por sinal, acontece, com mais frequência, em idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, pulmonares e diabetes.

Vale dizer que a ação da cloroquina e da hidroxicloroquina é justamente carregar o zinco para dentro das células. Por isso, justifica-se tantos holofotes nesta substância durante a pandemia.

Teoricamente, se damos zinco para um indivíduo com COVID-19 juntamente com outra substância capaz de carregá-lo até às células — como a cloroquina e a hidroxicloroquina —, a cascata inflamatória diminui.

Tudo isso devido aos poderosos anti-inflamatórios do nutriente, que diminui a capacidade que o vírus tem de se replicar dentro do organismo humano.

Portanto, o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina sem a companhia do zinco seja, talvez, ineficiente.

E se você tiver outro agente que sirva de “táxi” e carregue o zinco para o interior celular, o medicamento também não se faz necessário, entende?

Como repor os níveis de zinco?

De fato, estudos sugerem que o zinco pode acelerar a recuperação de gripes e resfriados e ajudar a reduzir a gravidade dos sintomas inflamatórios.

Isso porque já é sabido que esse mineral desempenha papéis importantes nas nossas funções imunológicas.

Como uma “catraca inteligente”, o zinco teria uma capacidade de interromper a replicação do vírus ainda na porta de entrada do organismo, ou seja, na região da nasofaringe (atrás do nariz e acima da garganta).

Por isso, sem medo de errar, digo que você deve ampliar sua ingesta de zinco ainda mais durante a crise.

Agora, isso significa que você estará 100% blindado?

Não, mas esse ponto de partida é fundamental.

Nos alimentos, podemos encontrar zinco em carnes bovinas, sementes de abóbora, frango cozido, amêndoas, amendoins, nozes, castanhas do pará, castanhas de caju.

sementes de abóbora

É muito importante consumir alimentos ricos em zinco, como sementes de abóbora!

Se você ingerir boas quantidades desses alimentos, talvez, não necessite de suplementação. É só não esquecer desses alimentos.

Um estudioso e Ph.D. em ciências nutricionais, Chris Masterjohn, escreveu que doses entre sete e 15mg de zinco seriam suficientes, uma vez que a ingestão diária do nutriente é de 11mg para homens e 8mg para mulheres.

Mas por vezes, em situação de defasagem, você precisa recorrer à suplementação.

E aí, não dá para esquecer do cobre. Ainda de acordo com Masterjohn, quando suplementamos o zinco, é preciso dar uma ajuda para a nossa quantidade de cobre.

A questão é que o zinco precisa do cobre para estimular a produção de linfócitos, células de defesa. A recomendação é de uma dose de até 10mg por dia.

Agora que você já conhece o nutriente “mágico”, está na hora de aprender mais sobre a segunda integrante do meu trio.

Até porque ela pode ser o “Uber” do seu zinco.

Quercetina: a “hidroxicloroquina” da natureza

Veja só, querido leitor.

Assim como a hidroxicloroquina, a quercetina também atua como transportadora de zinco. Ela é um elemento natural chamada de senolítica.

Esse nome vem do potencial que essas substâncias têm de prevenir o envelhecimento, ao reduzir a cascata inflamatória — o que seria o potencial benefício delas no tratamento da COVID-19.

Ou seja, o indivíduo infectado pelo coronavírus está com seu sistema imune hiperinflamado, trabalhando e muito para te manter vivo.

A partir disso, o organismo começa a sentir as consequências que são provocadas pela ação viral, o que chamamos de tempestade de citocinas.

Citocinas são proteínas produzidas pelo organismo como estratégias de defesa. Em dose adequada, fazem bem. Mas em excesso, as citocinas deixam um rastro de estrago.

A Covid-19 pode provocar um vendaval de citocinas.

É aí que entra a quercetina.

A pressão arterial perfeita com um simples chá

Se você toma Captopril, Losartana ou qualquer outra droga para baixar a pressão, atenção: existe um chá comprovadamente tão eficiente quanto essas drogas, mas sem seus efeitos colaterais. Explico tudo neste vídeo.

Ela atua nesse momento, diminuindo a produção e lançamento de citoquinas e desinflamando o organismo.

Um estudo usando modelos de supercomputadores identificou a quercetina como uma das cinco principais substâncias que atrapalhariam a ligação de uma proteína do vírus que “invade” as células humanas.

Pode ser teórico, mas é também interessante.

Em 2016, o periódico Nutrients apontou os mecanismos de ação da quercetina.

Entre eles, estava seu poder de inibir a produção de uma citocina chamada fator de necrose tumoral α (TNF-α), que está envolvida na inflamação sistêmica.

Além disso, a substância também inibe outras citocinas pró-inflamatórias e a histamina, que é outra vilã da imunidade, envolvida especialmente em processos alérgicos.

Pensando especificamente no COVID-19, os pesquisadores já iniciaram investigações sobre o poder anti-inflamatório da quercetina, uma vez que ela foi usada na epidemia de SARS (síndrome respiratória aguda grave), em 2003, e Ebola, em 2014.

Para o The Institute for Functional Medicine, dos Estados Unidos, a quercetina já é uma recomendação. A dose indicada é de 250 a 500mg, duas vezes ao dia, em forma fitossomal.

Eu tenho bons presságios com a quercetina e espero que ela seja ainda mais pesquisada.

Mas, como já disse, faz parte do meu triunvirato.

E agora chegou a hora de te apresentar a última componente do meu trio.

Equinácea: a protetora contra todos os coronavírus

Pode ser que, talvez, você desconheça a equinácea (Echinacea purpurea).

É uma planta medicinal de cor púrpura, tradicional da região da América do Norte, que sempre foi bastante utilizada pelas nossas bisavós e avós para tratar infecções respiratórias, como gripes e resfriados.

O Journal of Biomedicine and Biotechnology, em 2011, publicou um artigo científico de um estudioso, James B. Hudson, do Departamento de Patologia e Laboratório Médico da Universidade de Columbia, em Vancouver, no Canadá.

Nele, Hudson afirma que a equinácea tem múltiplas ações, como atividades virucidas (que destroem vírus), ações bactericidas diretas contra certas bactérias respiratórias, reversão de processos pró-inflamatório.

equinacea e chá

Equinacéa é um dos alimentos que podem aumentar a imunidade e proteger o organismo contra vírus e bactérias

Outro estudo realizado no início de 2020, com a pandemia já assolando o planeta, investigou o potencial antiviral da equinácea para o coronavírus e outras doenças do trato respiratório.

Para isso, partículas e células do vírus foram tratadas, colocadas in vitro e expostas a um modelo que imitava o tecido celular nasal humano, simulando uma infecção natural.

A atividade antiviral da equinácea, vale dizer, não ficou restrita aos resfriados comuns causados por todos os tipos de coronavírus.

Também foram inativados os agentes causadores de SARS (Síndrome respiratória aguda grave) e MERS-CoV (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) – “estrelas” das epidemias mais recentes.

Como conclusão, os cientistas afirmam que os resultados sugerem que a equinácea “podem ser eficazes como tratamento profilático para todos os coronavírus, incluindo cepas de ocorrência recente, como SARS-CoV-2 (covid-19)”.

Os estudos sugerem o uso da equinácea duas vezes ao dia, em doses de 150mg.

Eu também recomendo, sempre com supervisão médica.

E apesar de estar junto com a ciência, em tempo real, eu não tenho dúvida.

Em tempos de incertezas na saúde, as armas naturais não costumam falhar.

Referências bibliográficas:

  • Hydroxychloroquine or chloroquine with or without a macrolide for treatment of COVID-19: a multinational registry analysis; The Lancet; Avaible online 22 may 2020;
  • Hudson JB. Applications of the phytomedicine Echinacea purpurea (Purple Coneflower) in infectious diseases. J Biomed Biotechnol;
  • Johanna Signer, Hulda R. Jonsdottir, Werner C. Albrich et al. In vitro antiviral activity of Echinaforce®, an Echinacea purpurea preparation, against common cold coronavirus 229E and highly pathogenic MERS-CoV and SARS-CoV, 26 February 2020, PREPRINT (Version 1) available at Research Square;
  • Chris Master John, PHD; What Is the Best Dose of Zinc for COVID-19 Prevention?;
    Li Y, Yao J, Han C, et al. Quercetin, Inflammation and Immunity. Nutrients. 2016;8(3):167. Published 2016 Mar 15;
  • Sargiacomo C, Sotgia F, Lisanti MP. COVID-19 and chronological aging: senolytics and other anti-aging drugs for the treatment or prevention of corona virus infection?. Aging (Albany NY). 2020;12(8):6511
Fernanda Aranda

Especialista: Fernanda Aranda

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