Buscar

Outubro rosa previne mortes por câncer de mama?

Maior Menor
Denise de Carvalho

Especialista: Denise de Carvalho

Médica e Especialista em Gastroenterologia

CRM: 14.558/SP

28 outubro 2020

Médica e Especialista em Gastroenterologia formada na PUC de Campinas em 1998, com especialização em Gastroenterologia pelo hospital Clínic de Barcelona, Cirurgia e Endoscopia Digestiva pela USP. Atua com Medicina Baseada na Individualidade, com olhar sobre o paciente (mente e corpo) e não somente na doença. Também é idealizadora do COINEMA - 1º Congresso Internacional de Emagrecimento On-line.

Viu alguém usando uma fitinha rosa na camisa hoje? Ou alguma campanha publicitária te falando sobre o Outubro Rosa?

Já sei, as luzes daquele edifício, pertinho da sua casa, estão todas rosadas. Todos os meses de Outubro têm sido assim.

A cor rosa, socialmente conectada ao feminino, ganha mais espaço e invade espaços públicos, vitrines e até mesmo drinks alcoólicos.

E aí, eu te pergunto qual parte desta mobilização eu perdi porque não estou achando a conexão com a verdadeira causa do Outubro Rosa: a prevenção do câncer de mama?

 

Conteúdos relacionados:

 

Se você está respondendo à minha pergunta mentalmente porque acha óbvio que tudo isso se trata de um movimento de conscientização da importância da mamografia, eu quero te dizer que o Outubro Rosa precisa ir além.

E vou te provar por quê.

Mamografia não é a verdadeira prevenção do câncer de mama

No Brasil, o câncer de mama representa uma das principais causas de morte por neoplasias malignas em mulheres.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que mais de 66 mil mulheres serão acometidas pela doença no ano de 2020.

É claro que eu sei que todo esse movimento rosa que toma conta das cidades e das redes sociais tem boas intenções.

A taxa sobrevivência da doença é de 99% quando detectada em um estágio inicial contra 26% quando detectada em um estágio avançado.

É o que dizem os números que endossam essas iniciativas.

[Revelada] A arma escondida por Hitler pode matar as células cancerígenas

Durante a II Guerra Mundial, um brilhante cientista alemão teria conseguido o impossível: uma forma de matar as células cancerígenas.

Veja aqui todas as provas

Claro que mamografia tem a sua utilidade e o seu lugar na medicina. O ponto aqui é que apostar só nesse recurso nunca será suficiente para reduzir a mortalidade do câncer de mama ou prevenir a doença.

Isso porque essa não é uma abordagem preventiva e, sim, de detecção.

Também é inegável que, exame por exame, pedido sem critério, pode criar uma cultura de procedimentos desnecessários e nos deixar mais suscetíveis a erros.

Se todos os cânceres se tornassem grandes e mortais, a detecção precoce seria interessante, mas temos cenários diferentes:

  • há aqueles que sempre vão permanecer pequenos e não evoluirão;
  • há aqueles que vão regredir espontaneamente (como mostra um estudo realizado pela Universidade de Oslo e publicado pela revista JAMA, em 2008);
  • há aqueles que vão progredir lentamente e para quem o tratamento é necessário; e
  • finalmente, aqueles que têm uma evolução meteórica entre duas mamografias e são fatais, não importa o que você faça.

Mais uma vez: meu objetivo aqui não é te incentivar a abandonar qualquer tipo de tratamento ou fazer qualquer intervenção por conta própria.

O que precisa ficar claro é que a mamografia não serve como prevenção de câncer de mama e os dados nos mostram isso.

Por isso, olha qual é o meu alerta: é preciso olhar o câncer como uma doença não apenas da mama, mas de um corpo desequilibrado, doente.

cancer de mama

A mamografia que as campanhas de Outubro Rosa defendem não é uma abordagem preventiva. E, sim, de detecção.

O que esqueceram de te contar durante as campanhas do Outubro Rosa

Milhões de reais estão sendo gastos em “sensibilização” em favor da triagem, enquanto todo esse dinheiro poderia ser usado para lembrar, por exemplo, que prevenção de verdade é o que a gente faz entre novembro e setembro.

E não apenas nos exames indicados para outubro, entende?

Por isso, resolvi partilhar 4 segredos nesse Outubro Rosa. Vamos lá?

Azeite de oliva e dieta mediterrânea

Certamente, você já escutou sobre a importância de fazer mamografia, mas talvez nunca tenham te revelado que o azeite de oliva com dieta mediterrânea está associado a uma redução de 67% no câncer de mama.

Consegue entender o meu ponto?

Um estudo conduzido na Universidade de Granada, na Espanha, cientistas observaram que os componentes do azeite inibiram a expressão de um gene, o HER2, que dispara a forma mais agressiva dessa doença.

A dieta mediterrânea é aquela que prioriza o consumo de boas gorduras, como o azeite de oliva, os peixes (contém o Ômega 3), alimentos integrais (como grão de bico, arroz integral, sementes) e frescos e também fontes de proteína (carnes vermelhas de corte magro uma vez na semana e lentilhas).

O azeite de oliva e a dieta mediterrânea podem atuar na redução de câncer de mama

O hormônio do sono

Quer ver outro “segredo” no Outubro Rosa?

A deficiência de melatonina, hormônio produzido à noite aumenta a predisposição à iniciação do câncer, incluindo o de mama.

Veja essa pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) em colaboração com colegas do Hospital Henry Ford, de Detroit, em Michigan, nos Estados Unidos.

O estudo esclareceu que essa capacidade preventiva da melatonina se deve ao papel que ela pode desempenhar na inibição da formação de novos vasos sanguíneos já existentes do tumor, denominada angiogênese.

Isso contribui sobremaneira para o desenvolvimento de metástases tumorais.

Então, de novo, alertaram sobre o importante autoexame mas e sobre a melatonina, você já havia escutado?

Cúrcuma: tempero anticâncer potente

Já o meu terceiro segredo é o açafrão da Terra, conhecido também como cúrcuma.

Ela atua na prevenção e tratamento do câncer de mama.

Um estudo feito no Texas mostrou que a cúrcuma inibe o risco de metástase do câncer de mama para os pulmões e ossos.

Segundo um relatório divulgado em 2013 no Journal of Breast Cancer, a cúrcuma inibe o crescimento de células tumorais e a sua migração e proliferação para outras partes do organismo.

Minha recomendação é que você use a cúrcuma diariamente como um ingrediente indispensável. É assim que funciona na minha cozinha.

Meus legumes ao forno recebem sempre pitadas desse ingrediente. Experimente esse novo sabor!

Mulher, eu quero celebrar a sua saúde e oferecer caminhos que te ajudem a prevenir de verdade a saúde.

É lógico que esses três segredos sozinhos não são capazes de mudar o cenário atual do câncer de mama no País.

A conexão entre intestino e câncer de mama

Se eu peço menos apostas em um exame, eu clamo por mais atenção ao intestino.

No caso do câncer de mama, as evidências sobre essa conexão residem nos micro-organismos que nos habitam.

Esses pequeninos seres podem, nas reações de sobrevivência que fazem todos os dias dentro da gente, causar um aumento da atividade dos estrogênios (chamamos isso de estroboloma), principal hormônio envolvido no aumento da incidência de câncer de mama na população geral.

A boa notícia é que a composição dessa microbiota pode mudar e se tornar menos produtora de estrogênios.

Como?

  • evitando antibióticos desnecessários;
  • reduzindo a ingestão de dieta rica em gordura saturada;
  • reduzindo a ingestão de álcool ao máximo possível; e
  • reduzindo a gordura corporal (que também aumenta a quantidade de estrogênio).

A divulgação desses conhecimentos seria uma ótima contribuição para as mulheres durante o outubro rosa.

Para apagar seu refluxo de uma vez

Quer decretar o FIM DO REFLUXO na sua vida? Neste vídeo, a Dra. Denise de Carvalho revela uma nova forma natural para apagar a queimação de uma vez por todas.

Clique aqui para assistir

Referências bibliográficas:

  • https://journals.plos.org/plosone/article/authors?id=10.1371/journal.pone.0085311
  • https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3706856/
  • https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27107051/
Denise de Carvalho

Especialista: Denise de Carvalho

Médica e Especialista em Gastroenterologia

CRM: 14.558/SP

28 outubro 2020

Médica e Especialista em Gastroenterologia formada na PUC de Campinas em 1998, com especialização em Gastroenterologia pelo hospital Clínic de Barcelona, Cirurgia e Endoscopia Digestiva pela USP. Atua com Medicina Baseada na Individualidade, com olhar sobre o paciente (mente e corpo) e não somente na doença. Também é idealizadora do COINEMA - 1º Congresso Internacional de Emagrecimento On-line.

Conteúdos Relacionados