Buscar

Os exercícios físicos protegem o cérebro, diz pesquisa inédita

Maior Menor
Dr. Nelson Annunciato

Especialista: Dr. Nelson Annunciato

Neurocientista

10 julho 2020

Dr. Nelson Annunciato é pós-graduado e especialista em órgãos dos sentidos pelo Departamento de Biologia da UNICAMP; Doutorado em Neurociências pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pela “Medizinische Universität zu Lübeck” (Universidade Médica de Lübeck, Alemanha); Pós-doutorado em Programas de Reabilitação Neurológica pelo “Kinderzentrum München” (Centro Infantil de Munique, Alemanha).

Você sabia que existem conexões entre o seu cérebro e o exercício físico?

Praticar os exercícios é muito mais do que trabalhar os músculos, submeter a uma rotina de academia extenuante e motivação puramente física e motora.

Separei este espaço para te explicar em detalhes por que a atividade física melhora o seu funcionamento cerebral, protege as suas memórias e ainda previne doenças, como o Alzheimer.

 

Conteúdos relacionados:

 

E, já adianto, só o fato de você não passar o dia sentado já ajuda seu cérebro a manter-se ativo, sua cognição em dia e suas memórias preservadas.

Praticar exercícios aumenta a circulação de oxigênio no cérebro

O oxigênio, além de ser indispensável para a vida, é o elemento químico mais abundante da superfície do planeta Terra. Ele está mesmo em toda parte, incluindo dentro do seu cérebro.

E é por meio da respiração que essa substância vital adentra o organismo. Inspirando e expirando.

Quando você se exercita, seu coração bate mais forte. Em outras palavras, sua frequência cardíaca se eleva. E quando você se exercita, você respira de forma mais rápida, fazendo com que seu corpo necessite de mais oxigênio, o qual precisa ser transportado mais rapidamente.

E nesse processo, o oxigênio é direcionado para as mitocôndrias, que são as fábricas de produção de energia celular. Como resultado, seu corpo produz um composto químico chamado de ATP (Trifosfato de adenosina).

Este café aumenta a memória

uma xícara de café e grãos de café espalhados pela mesa

Quem poderia imaginar que o segredo para deixar de ter esquecimentos pode estar presente no seu cafezinho?

Basta adicionar este ingrediente na sua bebida todos os dias para se proteger da perda de memória e até do Alzheimer.

Veja aqui como preparar o SuperCafé para o seu cérebro.

O cérebro também vai receber mais oxigênio e, consequentemente, suas células nervosas produzirão mais energia para você se concentrar em uma determinada tarefa.

E a melhor forma de estimular todo esse processo e de manter sua mente clara e funcionante, é por meio da atividade física regular.

Irisina: o “hormônio do exercício” que protege sua memória

No início de 2019, pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicaram um estudo na prestigiada revista internacional Nature Medicine.

Na ocasião, eles demonstravam as evidências encontradas sobre o papel protetor de neurônios do hormônio irisina, que também desempenha funções na formação de memórias.

Foram sete anos de trabalhos para que nossos conterrâneos observassem que o aumento dessa substância, que é liberada pelos músculos enquanto nos exercitamos, recupera o funcionamento dos neurônios e restaura a capacidade de aprendizado em camundongos geneticamente modificados para apresentar sintomas do Alzheimer.

Os cientistas sugerem que a irisina impede a destruição da comunicação entre os neurônios, por meio das sinapses.

Com todas as evidências encontradas, fica notório que manter-se ativo é essencial para a saúde do cérebro, reduzindo as chances do desenvolvimento do Alzheimer.

Uma senhora se exercitando em um parque

As pesquisas afirmam que as atividades físicas podem melhorar o funcionamento do cérebro e ainda prevenir doenças

Os exercícios físicos estimulam a produção de BDNF, o alimento dos neurônios

O Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) é uma proteína que desempenha vários efeitos do sistema nervoso central, preservando funções essenciais como a memória.

Ter um nível elevado dessa substância significa ter o cérebro bem protegido, como acreditam os pesquisadores. Já concentrações baixas podem indicar a presença de doenças como esquizofrenia, Alzheimer e Parkinson.

Um estudo realizado em Hong Kong, pela Hong Kong Polytchnic University, analisou a associação entre os níveis sanguíneos de BDNF e os vários fatores de estilo de vida relacionados à saúde.

Oitenta e cinco indivíduos responderam um questionário com perguntas sobre o estilo de vida.

O resultado sugere que o aumento dos níveis de BDNF estavam relacionados às pessoas que ingeriam frutas e praticavam exercício físico regularmente.

E a melhor forma de estimular a produção de BDNF é por meio do exercício intervalado. Sobre esse assunto, confira as dicas do Dr. Uronal Zancan aqui.

[VÍDEO] Como ter um cérebro 29 anos mais jovem

O neurocientista Dr. Nelson Annunciato ensina a rejuvenescer o seu cérebro para aumentar em 95 por cento sua memória, turbinar seu foco e raciocínio.

Quer um cérebro até 29 anos mais jovem? Então assista aqui.

Exercício físico é um excelente remédio para a depressão

Uma revisão de artigos que analisou os efeitos da atividade como recurso preventivo da depressão, publicada em 2018 pelo The American Journal of Psychiatry, concluiu que exercitar-se previne a doença.

Foram analisados estatisticamente 49 artigos científicos com dados de 265 mil pessoas de 20 países diferentes. Os pesquisadores — de diferentes universidades do mundo, incluindo duas brasileiras — afirmaram que há bastante evidência na literatura médica de que, para pessoas que têm depressão, o exercício pode ajudar a aliviar sintomas.

O estudo afirma que “a prática da atividade física acelera a regeneração neuronal, e esta é uma das formas pela qual ela pode ajudar na prevenção ao transtorno depressivo”.

Isso acontece porque quem tem depressão tem regeneração neuronal diminuída, ou seja, perdem mais neurônios.

O risco de ter partes do cérebro atrofiadas, como o córtex pré-frontal e hipocampo, como acontece com quem sofre de depressão, também é diminuído.

Viu como os exercícios protegem o seu cérebro e melhoram tanto os sintomas da depressão como a qualidade de vida?

Espero que você comece a ter uma rotina de exercícios hoje mesmo!

Referências bibliográficas:

Dr. Nelson Annunciato

Especialista: Dr. Nelson Annunciato

Neurocientista

10 julho 2020

Dr. Nelson Annunciato é pós-graduado e especialista em órgãos dos sentidos pelo Departamento de Biologia da UNICAMP; Doutorado em Neurociências pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pela “Medizinische Universität zu Lübeck” (Universidade Médica de Lübeck, Alemanha); Pós-doutorado em Programas de Reabilitação Neurológica pelo “Kinderzentrum München” (Centro Infantil de Munique, Alemanha).

Conteúdos Relacionados