O presidente está com soluço; o que isso pode significar?

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Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

14 julho 2021

Editor

O presidente Jair Bolsonaro foi internado com uma crise de soluços e o quadro possivelmente está ligado aos seus processos de cirurgias abdominais; saiba o que são os soluços e o que pode desencadeá-los no organismo 

Uma crise de soluços tem sido a nova pedra no sapato do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Levado ao Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, na madrugada desta quarta-feira (14), o líder brasileiro se queixa de soluços constantes há quase uma semana.

A Secretaria da Presidência da República informou que ainda nesta quarta o presidente deve ser transferido para um hospital em São Paulo, onde os médicos devem avaliar a necessidade de uma cirurgia de emergência. Ele enfrenta um quadro de obstrução intestinal.

Em entrevista, Bolsonaro chegou a afirmar que o seu problema tem relação com medicamentos — não precisou quais — que teve que tomar para fazer uma cirurgia de implante dentário.

Mas, então, o que são soluços e o que eles podem significar? Como a medicina integrativa consegue ajudar a cuidar dessas crises e também preveni-las? É o que vamos contar aqui.

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Por definição, o soluço é causado involuntariamente pelo diafragma. Ele acontece quando o diafragma (o músculo que divide a cavidade torácica da cavidade abdominal) se contrai e, por consequência, ajuda na remoção do excesso de ar no estômago. O som típico do soluço acontece porque ele ainda afeta a glote. 

De acordo com dados do Palliative Care Medicines Information, há três classificações para o soluço. Eles podem ser agudos, persistentes e intratáveis. O primeiro tipo se refere àqueles que duram até 48 horas; o segundo tange os que vão além dos dois dias. Já o último — que, talvez, seja o caso do presidente — se enquadra aos soluços que duram mais de um mês.

As causas do soluço

O médico e especialista da Jolivi, Dr. Carlos Schlischka, conta que as causas do soluço podem ser diversas. Entre elas estão:

  • Doenças gastrointestinais, a exemplo da esofagite, gastrenterite e refluxo;
  • Consumo excessivo de alimentos que podem aumentar a produção de gases, dilatando o estômago, como o repolho, brócolis, ervilha e arroz integral;
  • Bebidas com gases, como os refrigerantes;
  • Excesso de bebida alcoólica;
  • Se alimentar muito rápido; e
  • Estresse e ansiedade.

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O Dr. Carlos reforça que medicamentos alopáticos também podem causar os espasmos do diafragma. “No caso dos remédios, os que mais causam soluços são alfametildopa, barbitúricos de ação curta, diazepam e corticosteróides. Nesses últimos, o principal é o dexametasona”, específica. 

A alfametildopa é um medicamento alopático destinado ao tratamento de hipertensão. Os barbitúricos são indicados para casos de insônia. Já os corticosteróides são usados no tratamento de problemas inflamatórios crônicos como asma, alergias, artrite reumatóide, lúpus ou problemas dermatológicos.

Outras possíveis causas são alterações no sistema respiratório, seja por doenças como a pneumonia, seja pelo aumento da frequência respiratória após um exercício físico. “Isso acontece porque há a diminuição da concentração de CO2 na corrente sanguínea”, detalha o médico.

Alterações na concentração de cálcio, potássio e sódio no organismo também podem levar a um quadro de soluços. Assim como doenças neurológicas que possam alterar o controle dos músculos respiratórios.

Qual foi o caso do presidente?

Por falta de informações oficiais, não é possível cravar o que levou o presidente Jair Bolsonaro a ter sua crise de soluço. Porém, de acordo com o Dr. Carlos, cirurgias abdominais extensas podem causar o problema.

“É válido lembrar que o presidente foi submetido a uma extensa cirurgia abdominal. Cirurgias repetidas e/ou extensas, como é o caso dele, podem causar hérnias internas, aderências do intestino e que, ao irritar o diafragma, podem causar soluços”, detalha o especialista da Jolivi.

No dia 6 de setembro de 2018, enquanto fazia campanha eleitoral em Minas Gerais, ainda como candidato à Presidência da República, Bolsonaro recebeu um golpe de faca na região do abdômen. Diante do incidente, ele foi submetido a cirurgias na região

A ciência também fala sobre soluços e cirurgias

Um artigo científico publicado em 2020 na editora inglesa Hindawi Publishing comprovou que os soluços podem persistir por semanas, às vezes até meses, após um processo cirúrgico.

A publicação mostrou que ainda há poucos dados sobre a causa precisa e o tratamento ideal para esses soluços persistentes pós-operatórios. O estudo avaliou um paciente com refluxo gastroesofágico — aquele mesmo que o Dr. Carlos mencionou acima — que desenvolveu soluços recorrentes 11 dias após um processo cirúrgico.

O paciente do estudo da Hindawi Publishing tinha 68 anos — idade similar ao presidente, que tem 66. O homem se queixava de dificuldade para respirar, deglutir e até falar. Bolsonaro também chegou a comentar que as crises de soluço estavam atrapalhando sua comunicação oral.

Como prevenir e tratar soluços?

O Dr. Carlos tem algumas recomendações para evitar e até para tratar as crises.  Nos casos mais comuns de crises de soluço, o recomendável é:

  • Respirar em um saco;
  • Chupar limão;
  • Fazer manobra de Valsalva – respirar fundo e tentar soprar o ar sobre a mão, fechando a boca e o nariz;
  • Prender a respiração por segundos;
  • Estimular a garganta, provocando o reflexo de vômito; e
  • Beber água gelada.

Já para evitar o surgimento dos espasmos do diafragma, o ideal é mudar o estilo de vida e adotar hábitos como:

  • Comer mais devagar e em porções menores;
  • Evitar falar enquanto come;
  • Evitar alimentos condimentados e/ou apimentados; e
  • Ingerir menos bebidas alcoólicas.

Atenção

Em casos de soluços constantes, não deixe de consultar as recomendações do seu médico de confiança.

Referências:

  • Hindawi Publishing, Persistent Postoperative Hiccups. Emily Bryer and Jeffrey Bryer; 07/4/2020.
  • Palliative Care Medicines Information, What are the treatment options for hiccups in palliative care patients? September/2011.

 

 

Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

14 julho 2021

Editor

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