Buscar

O novo remédio contra Alzheimer não é lá essas coisas; aqui estão as provas

Maior Menor
Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Editora

Por trás da comemoração do grande feito científico existem muitas controvérsias. De efeitos colaterais assustadores a testes clínicos interrompidos, entenda o que a indústria farmacêutica está escondendo sobre a nova droga contra Alzheimer.

De repente, surge a notícia de um remédio que promete ser inovador contra uma doença que ainda não tem cura, o Alzheimer.

A nova droga foi aprovada nesta segunda-feira (7) pela Food and Drug Administration (FDA), agência regulamentadora dos Estados Unidos (equivalente à nossa Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e prometeu revolucionar o tratamento deste tipo de demência.

Porém, o que se prenunciava como um verdadeiro sucesso está cercado de controvérsias. Elencamos as principais a seguir.

1) O tratamento com o novo remédio contra Alzheimer é caríssimo

A farmacêutica Biogen anunciou que o tratamento custaria, por ano, US$ 56 mil. Isso equivale a R$ 283 mil pela cotação atual do dólar.

A nova droga tem aplicação intravenosa mensal, exigindo um profissional pra isso — que terá seu custo. Sem falar nos gastos com acompanhamento médico específico e exames recorrentes que são exigidos para diagnóstico, o que encarece ainda mais o tratamento.

2) O mecanismo do novo remédio contra Alzheimer é contraditório

A nova droga, chamada aducanumab — com nome comercial de Aduhelm — atua atacando uma proteína chamada beta-amiloide. Ela se acumula no cérebro dos portadores deste mal, formando placas que bloqueiam as chamadas sinapses, que são a comunicação entre um neurônio e outro. O resultado são os sintomas da demência.

Além disso, sabe-se que há, ainda, outra proteína envolvida no desenvolvimento da doença, a tau.

Enquanto a beta-amiloide se faz presente nos tecidos cerebrais, a tau se acumula no interior dos neurônios — por isso, diversos especialistas classificam como “simplista” um tratamento que olha apenas para uma das proteínas.

Seja o que for, apesar da nova droga conseguir reduzir as placas de beta-amiloide no cérebro em laboratório, os testes clínicos não mostraram a mesma eficácia.

3) Os testes clínicos do novo remédio contra Alzheimer foram interrompidos em 2019

Depois de analisar mais de 3 mil participantes de 20 países diferentes, a farmacêutica Biogen, em parceria com a japonesa Eisai, decidiu interromper a testagem na fase 3 diante da falta de evidências — até então, a nova droga não havia mostrado efeito algum em retardar os sintomas do Alzheimer.

Mais tarde, eles foram retomados, mas não livre de novas controvérsias.

4) Os efeitos colaterais do novo remédio contra Alzheimer são complicados

Depois de retomar os testes clínicos, os estudiosos observaram que altas dosagens da nova droga poderiam retardar o avanço da doença em 22%. Ou seja, em 18 meses, ele retardaria 4 meses de avanço do Alzheimer.

Nenhum participante do estudo morreu. Porém, um relatório da farmacêutica apontou que 40% dos participantes que receberam a dose alta nos estudos tiveram tiveram hemorragias ou edemas cerebrais.

Além destes, a medicação apresentou outros efeitos mais comuns, como dor de cabeça, tontura, náusea e vômito.

Um relatório da farmacêutica Biogen apontou que 40% dos participantes que receberam a dose alta nos estudos tiveram tiveram hemorragias ou edemas cerebrais.

5) A decisão da FDA ao liberar o novo remédio contra Alzheimer foi contestada

Em novembro do ano passado, a FDA convocou seu Comitê Consultivo de Drogas do Sistema Nervoso Periférico e Central para votar questões a respeito da eficácia da nova droga.

O resultado da votação: quando perguntados se apenas um estudo positivo poderia ser uma evidência da eficácia da medicação, ninguém votou sim. Enquanto 10 votaram não, 1 membro do Comitê declarou voto incerto.

6) A farmacêutica terá que conduzir novos testes — e poderá ter a autorização revogada

Apesar da reprovação do Comitê, a FDA seguiu em frente com o processo de aprovação do novo remédio contra Alzheimer. No entanto, diante das polêmicas, pediu para que a farmacêutica Biogen conduzisse novos testes.

A agência reguladora também afirmou que pode revogar a autorização do futuro — mas, enquanto isso, a droga poderá ser usada nos Estados Unidos.

7) Organizações civis pediram que os EUA investigassem a aproximação da FDA com a Biogen

A atuação da FDA com a farmacêutica levantou suspeitas de organizações civis.

O Grupo de Pesquisa em Saúde Pública para os Cidadãos, uma instituição sem fins lucrativos, chegou a encaminhar uma carta para Xavier Becerra, Secretário de Saúde e Serviços Humanos, pedindo que o Escritório do Inspetor-Geral do departamento investigasse a “colaboração estreita” entre a FDA e a Biogen no que diz respeito à aprovação da nova droga.

8) Existem formas naturais e sem efeitos colaterais para combater o Alzheimer

Existe um caminho muito mais simples e seguro do que apenas aguardar a chegada de um novo — caríssimo e provavelmente perigoso — medicamento no Brasil.

A recomendação do Dr. Nelson Annunciato, neurocientista, é investir em soluções naturais e sem efeitos colaterais, como óleo de coco e DHA.

Alguns estudos indicam que o uso de quatro colheres de sopa do óleo por dia pode regredir o quadro de Alzheimer em até seis meses. Um deles foi conduzido pela médica Mary Newport, autoridade que já escreveu livros reconhecidos sobre o assunto.

Já o DHA (sigla para ácido docosahexaenoico), um dos ácidos graxos do ômega 3, se mostrou eficaz em prevenir demência. Uma pesquisa da Universidade de Petersburgo mostrou que o tratamento com DHA reduz o estresse dos neurônios.

Outra, conduzida pela Northumbria University, do Reino Unido, observou que o ômega-3 melhora a circulação cerebral e diminui os riscos de demência ao envelhecer.

Reverteu o Alzheimer em 90% dos casos

Pesquisadores descobriram como regredir os sintomas de Alzheimer em 9 a cada 10 pessoas diagnosticadas com a doença. De forma inédita, o Dr. Nelson Annunciato apresenta a primeira solução capaz de regredir lapsos de memória, esquecimentos e até mesmo o Alzheimer.

PARA SABER MAIS, CLIQUE AQUI

Referências

CNN. Em decisão contestada, FDA aprova novo remédio contra Alzheimer. Link: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2021/06/07/em-decisao-contestada-fda-aprova-novo-remedio-contra-alzheimer

G1. 9 pontos sobre o Aduhelm, remédio contra o Alzheimer aprovado nos EUA. Link: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2021/06/08/9-pontos-sobre-o-novo-medicamento-contra-o-alzheimer-aprovado-nos-eua.ghtml

Superinteressante. EUA aprovam novo remédio contra Alzheimer – mas não há consenso sobre sua eficácia. Link: https://super.abril.com.br/saude/eua-aprovam-novo-remedio-contra-alzheimer-mas-nao-ha-consenso-sobre-sua-eficacia/

BIOGEN. EMERGE and ENGAGE Topline Results: Two Phase 3 Studies to Evaluate Aducanumab in Patients With Early Alzheimer’s Disease. Link: https://docs.google.com/document/d/1nTIwqtZeVu8L-LfTfrzGWAiFUWpLdeCfFEL5UFcLwDg/edit

Public Citizen. FDA Approval of Aducanumab to Treat Alzheimer’s Disease Would Be a Reckless Disregard for Science, Damage Agency’s Credibility. Link: https://www.citizen.org/news/fda-approval-of-aducanumab-to-treat-alzheimers-disease-would-be-a-reckless-disregard-for-science-damage-agencys-credibility/

BIOGEN. Biogen and Eisai launch multiple initiatives to help patients with Alzheimer’s disease access ADUHELM™. Link: https://investors.biogen.com/news-releases/news-release-details/biogen-and-eisai-launch-multiple-initiatives-help-patients

Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Editora

Conteúdos Relacionados