‘Sinto medo na hora de dormir’: o drama de quem já experimentou a insônia

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Monique Garcia

Monique Garcia

Editora

Passar uma única noite em claro já é suficiente para a saúde ficar no vermelho. Quando o problema se torna crônico, é hora de tirá-lo das sombras e mirar em um tratamento assertivo

Deita, levanta, invade a geladeira. Nada interessante por ali. Abre o armário, surrupia o pacote de bolacha e manda tudo pra dentro. Será que agora a calmaria vem? Volta pra cama de barriga – e cabeça – cheias. Pega os fones de ouvido, sintoniza o rádio. Que estação transmite algo bom a essa altura do campeonato? Já são três da manhã. Câmbio, desliga. É a vez da TV. Tá na hora do Corujão da segunda-feira – os filmes que outrora todo mundo podia escolher. Mas a chegada do sono, essa nunca permite escolha…

Essa rotina foi a de Everton S., 30 anos, por boa parte de sua infância e adolescência. Mas também poderia ser a de muitas outras pessoas que sofrem com os males da insônia e buscam, desesperadamente, qualquer recurso que ajude-as a ter uma noite tranquila de sono.

“Hoje, ainda sinto medo quando chega a hora de dormir. Meus anseios se adaptaram à realidade da vida adulta. Muitas vezes, à noite, estou pilhado, com a mente focada em preocupações do trabalho, da casa, e acabo demorando para dormir – quando consigo, às vezes acordo de madrugada e leva um tempo para relaxar de novo. Sem mencionar o bruxismo que acaba me provocando dores”, relata Everton.

 

Distúrbios do sono: um mal que afeta cerca de 40% dos brasileiros

 

Insônia, sonolência excessiva, apneia do sono… Não é de hoje que a população brasileira sofre com problemas para dormir. No entanto, já é possível perceber que esse quadro se intensificou com a pandemia, que já completou seu primeiro ano.

Para se ter ideia, entre abril e maio passados, quando o novo coronavírus ganhou força no Brasil, o termo “insônia” foi o mais procurado no Google. Já a busca por “remédio para insônia” aumentou em 130% na plataforma.

A dificuldade para adormecer, inclusive em tempos turbulentos como os de hoje, costuma vir acompanhada de depressão, ansiedade, estresse excessivo, horários irregulares – todos parte de um pacote de aflições que essa catástrofe global intensificou para os habitantes deste mundo.

 

A busca por remédio para insônia aumentou 130% no Google

 

Foi o caso de Larissa A., 25 anos. Ela conta que antes da pandemia já dormia pouco e vivia num ritmo acelerado, a ponto de abraçar mais tarefas do que, de fato, conseguia cumprir. 

“Quando vieram as medidas de isolamento, comecei a ficar ainda mais ansiosa e preocupada com as demandas do dia a dia, a ponto de não conseguir descansar. Os planos que tiveram de ser adiados também era algo que roubava minhas noites de sono. Foi então que comecei a acordar de madrugada com falta de ar e coração acelerado. Ficava agitada na cama e, lá pelas quatro da manhã, resolvia sair para dar uma volta no condomínio onde moro e tentar acalmar os ânimos”, conta Larissa à Jolivi. 

Luiza L., 83 anos, outra vítima da insônia, diz que chegou até a fazer tricô durante a madrugada para conseguir dormir. “Eu ficava desperta por horas e horas, me revirava a noite inteirinha na cama”, afirma.

 

Uma boa noite de sono pela sua saúde

 

Quando as luzes apagam e os olhos fecham, o organismo encontra a oportunidade para se recuperar dos desgastes físicos e emocionais que sofre ao longo do dia e, assim, alcançar um equilíbrio que o mantenha em pleno funcionamento. 

É durante as preciosas horas de sono que os processos de restauração de energia e de consolidação da memória acontecem, para que o dia seguinte seja produtivo e o corpo esteja pronto para a próxima jornada.

Além disso, o cérebro aproveita para fazer uma limpeza e descartar as informações que não lhe interessam (afinal, o órgão é bombardeado com um monte delas ao longo do dia) e as células de defesa são recrutadas para produzir anticorpos que previnem doenças. 

Na calada da noite, também ocorrem processos fundamentais para o metabolismo. É o caso, por exemplo, da liberação do GH, o famoso hormônio do crescimento estrutural e muscular, também responsável pela redução da gordura corporal.

 

O outro lado da moeda

 

A privação do sono, por outro lado, pode trazer repercussões bastante negativas para a saúde. Não pregar os olhos, infelizmente, abre precedentes para a falta de clareza e foco no dia a dia. A baixa de energia ainda traz mau humor e irritabilidade que colocam em xeque o rendimento da vítima do sono ruim. 

 

A falta do sono leva a uma série de consequências para a saúde física

 

“Nos dias seguintes aos meus episódios de insônia, eu acordava com raiva do mundo, Ficava completamente improdutiva e me irritava com qualquer coisa”, relembra Larissa. 

O hábito de acordar uma a duas vezes por noite com crises de ansiedade e logo depois cair no sono novo não parecia ter comprometido tanto o rendimento de Caroline L., 25 anos, ao longo do seu dia. Essa, pelo menos, era sua percepção até então.

“Foi quando voltei a praticar corrida, neste ano, com o sono já regulado, que percebi que o meu desempenho físico estava ótimo, muito melhor do que antes. Nesse momento percebi como aqueles minutos em que eu passava acordada de madrugada faziam falta”, compartilha. 

Essa história de dormir mal ainda vai além: enfraquece o sistema imunológico, faz envelhecer antes da hora e aumenta os riscos de hipertensão, diabetes e até doença de Alzheimer. 

Muitos estudos, inclusive, têm cada vez mais estabelecido uma relação entre o sono e a doença neurodegenerativa. Um deles vem da Fundação Pasqual Maragall, na Espanha: após experimentos, os pesquisadores constataram que pessoas com insônia apresentam alterações no desempenho cognitivo e na estrutura do cérebro em regiões que são afetadas nos estágios iniciais do Alzheimer.

 

O que eles não te contam sobre os remédios para dormir

 

Diante desse cenário alarmante que os distúrbios do sono causam à saúde, o uso desenfreado de medicações para dormir é cada vez mais comum para tentar frear essas chateações. 

A falta de controle, no entanto, deve ser considerada uma verdadeira preocupação para a saúde pública. Essa é a verdade. Os tarja preta desencadeiam um ciclo vicioso e trazem, de brinde, uma série de efeitos colaterais potencialmente perigosos, como falhas na memória, quedas e comprometimento da coordenação motora. 

 

O uso de tarja preta para dormir desencadeia uma série de problemas ao organismo

 

É claro que, em certos casos, podem salvar vidas. Mas, ao perceber que eles só tapam o sol com a peneira e o número de comprimidos ingeridos só aumenta com o tempo, é hora de tentar enxergar o quadro de outra perspectiva.

Do ponto de vista da medicina integrativa, o melhor remédio para a insônia é, em primeiro lugar, detectar o que está por trás do distúrbio e identificar os gatilhos que a provocam. Nesse processo, em vez de induzir o sono artificialmente, é possível explorar as soluções naturais que agem como verdadeiros calmantes (do bem).

 

Como está sua mente durante a pandemia?

Você está se sentindo mais ansioso durante a quarentena? Tem dormido pior? E isso tem afetado seu humor? O neurocientista Nelson Annunciato preparou uma série on-line e gratuita para mostrar como é possível combater ansiedade, insônia e depressão -- sintomas do que ele chamou de "nova pandemia".

Inscreva-se gratuitamente aqui.

 

O combo do sono bom

 

Quando o assunto é qualidade do sono, o triptofano é uma das substâncias que mais se destacam. Esse aminoácido essencial tem a missão de participar da produção da melatonina (hormônio do sono) e da serotonina (hormônio da felicidade), sendo sua presença no organismo muito bem-vinda para propiciar bem-estar e ajudar a pegar no sono com facilidade e de forma natural. 

Como ele não é produzido pelo organismo, as doses de triptofano devem ser supridas por meio da alimentação – banana, nozes, carne de frango e ovos são exemplos de alimentos a serem consumidos – e da suplementação, alternativa bastante prática, já que se tratam de cápsulas que podem ser consumidas à noite, antes de deitar.

Além dele, existem outros nutrientes que são aliados das noites bem dormidas:

 

Magnésio

O que faz pelo seu sono: conhecido como relaxante natural, aumenta o hormônio da felicidade e causa uma sensação maior de relaxamento, afastando a ansiedade.

Onde encontrar: espinafre, sementes de abóbora e linhaça, castanha-do-pará e amêndoas ou em suplementos.

Vitamina B3 (niacina)
O que faz pelo seu sono: é a dupla inseparável do triptofano. Juntos, produzem serotonina, o neurotransmissor que, além de regular o humor, ajuda a induzir o sono.
Onde encontrar: fígado, frango, salmão, atum e em suplementos vitamínicos de qualidade.

Vitamina B6 (piridoxina)
O que faz pelo seu sono: outra aliada da cadeia de produção da serotonina, pois também ajuda na conversão do triptofano para o hormônio da felicidade.
Onde encontrar: bife de fígado, frango, peru, salmão e grão de bico, além de suplementos.

Vitamina B9 (ácido fólico)
O que faz pelo seu sono: é associada à melhora da insônia ao participar do ciclo da produção de melatonina. 

Onde encontrar: lentilha, quiabo, espinafre e brócolis ou nas suplementações.

Vitamina B12 (cobalamina)
O que faz pelo seu sono: influencia diretamente a melatonina e promove ciclos normais de sono e vigília, como mostra um estudo publicado no periódico Neuropsychopharmacology e outro realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Akita, no Japão, respectivamente.

Onde encontrar: bife de fígado, ovo, ostra, salmão vermelho e suplementos. Para os suplementos, prefira a B12 em forma de metilcobalamina.

Zinco
O que faz pelo seu sono: de acordo com um experimento realizado pelo Instituto Internacional de Medicina Integrativa do Sono da Universidade de Tsukuba, no Japão, comer alimentos ricos em zinco melhora a latência do início do sono e sua eficiência em pessoas saudáveis.

Onde encontrar: carnes bovinas, ovo, frango e cereais integrais. 

Como atestam os especialistas em saúde natural, esses são nutrientes poderosos que surtem efeito em conjunto com hábitos saudáveis, como ter uma rotina de exercícios, estabelecer horários fixos para acordar e dormir e manter longe os aparelhos eletrônicos perto da hora de se entregar às horas de descanso.

 

A CONTA da sua falta de energia chegou

Depois dos 50 anos, as pessoas se acostumam a passar os dias no sofá, porque pensam que ter vigor e energia são “coisa de gente jovem”. Mas o que elas nem imaginam é que essa preguiça crônica, dificuldade de respirar ao subir escadas e até as falhas na memória podem ser culpa da falta de um nutriente específico no corpo - algo que acomete a quase todo mundo que passa dos 50.

O Dr. Fernando Scremin explica aqui como reverter essa doença

 

Referências

 

  • Jornal da USP. Consequências da pandemia agravam quadro da insônia no Brasil.
  • Grau-Rivera, O., Operto, G., Falcón, C. et al. Association between insomnia and cognitive performance, gray matter volume, and white matter microstructure in cognitively unimpaired adults. Alz Res Therapy 12, 4 (2020). 
  • Effects of Vitamin B12 on Performance and Circadian Rhythm in Normal Subjects Geert Mayer, M.D., Margarete Kroger, M.D., and Karlheinz Meier-Ewert, M.D. 
  • Zhang X, Wang Y, Zhao R, Hu X, Zhang B, Lv X, Guo Z, Zhang Z, Yuan J, Chu X, Wang F, Li G, Geng X, Liu Y, Sui L, Wang F. Folic Acid Supplementation Suppresses Sleep Deprivation-Induced Telomere Dysfunction and Senescence-Associated Secretory Phenotype (SASP). Oxid Med Cell Longev. 2019 Dec 14;2019:4569614. doi: 10.1155/2019/4569614. PMID: 31949878; PMCID: PMC6948340.
  • Okawa M, Mishima K, Nanami T, Shimizu T, Iijima S, Hishikawa Y, Takahashi K. Vitamin B12 treatment for sleep-wake rhythm disorders. Sleep. 1990 Feb;13(1):15-23. doi: 10.1093/sleep/13.1.15. PMID: 2305167.
  • Saito H, Cherasse Y, Suzuki R, Mitarai M, Ueda F, Urade Y. Zinc-rich oysters as well as zinc-yeast- and astaxanthin-enriched food improved sleep efficiency and sleep onset in a randomized controlled trial of healthy individuals. Mol Nutr Food Res. 2017 May;61(5). doi: 10.1002/mnfr.201600882. Epub 2017 Feb 27. PMID: 28019085.

 

 

Monique Garcia

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