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Novembro azul: mitos e verdades sobre o câncer de próstata

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Doutor Victor Sorrentino

Especialista: Doutor Victor Sorrentino

Médico e Autor do livro "Segredos Para Uma Vida Longa"

5 novembro 2020

Médico e Autor do livro "Segredos Para Uma Vida Longa"

Já ouviu falar de novembro azul? Trata-se de um mês de conscientização a respeito do câncer de próstata, que atinge homens frequentemente na casa dos 50+.

Nesta data, urge trazer à tona um dos maiores mitos cancerígenos, dessa vez direcionado aos homens.

É claro que o problema não está na conscientização desse câncer. O que me incomoda é ver a divulgação de informações desatualizadas e que colocam tantos homens em risco, sujeitos a procedimentos invasivos e, muitas vezes, sem propósito.

Por isso, separei este espaço para te apresentar os mitos sobre o câncer de próstata que podem estar prejudicando a sua saúde.

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A testosterona pode causar câncer?

Você sabia que as pessoas disseminam o mito da testosterona como um agente cancerígeno?

Pois é: assim como as mulheres, os homens não estão imunes aos mitos do câncer.

Fala-se muito que a testosterona aumenta o risco de câncer de próstata, só que essa informação – ou desinformação, na verdade – nunca foi confirmada pela ciência.

Pode ser, muitas vezes, o contrário: já sabemos que a reposição hormonal para homem que têm deficiência de testosterona pode ajudar a diminuir risco de doenças crônicas, incluindo o câncer de próstata e doenças cardiovasculares.

Observe o paradoxo: na maior parte das vezes, o câncer de próstata se apresenta na terceira idade, quando o homem já teve uma diminuição absoluta dos níveis corporais desse hormônio.

A ciência tem derrubado cada vez mais esse mito.

Hoje, temos comprovação científica de que o câncer de próstata está associado à níveis baixos de testosterona e altos de estrogênio nos homens.

Para explicar, compartilho com você 2 estudos em que o especialista Dr. Morgentaler, professor da Universidade de Harvard, chama a atenção da comunidade médica científica para as falhas dos estudos antigos sobre o assunto.

Segundo ele, a conclusão de que testosterona gera câncer de próstata havia sido baseada em um total de 1 (pasme) paciente. É isso mesmo, você leu corretamente.

O estudo do Dr. Charles Brenton Huggins, que criou o paradigma de que testosterona causa câncer de próstata no passado, foi baseado em experiências com animais (cães).

Posteriormente, apenas 1 paciente já com câncer de próstata metastático e sem evidência clínica nenhuma para os padrões exigidos na atualidade foi avaliado. E nessa análise cheia de viés chegou-se ao mito de que testosterona causa câncer.

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De acordo com Marks, não existe, até o momento, dados que demonstrem que a terapia de reposição de testosterona ou níveis séricos endógenos de testosterona mais elevados tenham influência na etiologia do câncer de próstata.

Roddam acompanhou 3 mil homens com câncer de próstata e mais de 6 mil sem.

E, veja, não encontrou nenhuma relação entre o câncer de próstata e os hormônios estudados que incluíam testosterona total, testosterona livre e outros andróginos.

Um estudo publicado pelo grupo da Cleveland Clinic mostrou também que tumores de próstata de alto grau eram 2,4 vezes mais frequentemente observados em homens com níveis mais baixos de testosterona. Resumindo as palavras do Dr. Morgentaler, importante professor da Universidade de Harvard:

  1. Baixo nível de testosterona não protege contra câncer de próstata – na verdade, pode aumentar o risco.
  2. Alto nível de testosterona não aumenta risco de câncer de próstata.
  3. Tratamento com testosterona não aumenta o risco do câncer de próstata, mesmo entre homens que já têm risco para isso.
  4. Pacientes que têm câncer de próstata metastático e que receberam terapia para baixar o nível de testosterona (agonistas LHRH e/ou estrogênio) podem apresentar piora do quadro.

Atualmente, não é mais aceitável a alegação médica de que hormônios dão câncer.

Com todas as evidências científicas mostrando a importância da testosterona, esta ideia tornou-se obsoleta. Trata-se de mais um mito que te afasta da verdadeira saúde.

Agora, fica aqui a minha dica: converse sobre seu médico e avalie os níveis de testosterona (eu recomendo que esteja entre 600 e 800). Muito abaixo disso, vale considerar a reposição bioidêntica do hormônio.

Outro caminho é ampliar naturalmente a testosterona.

Vitamina D previne o câncer?

Para ampliar naturalmente a testosterona, eu sempre exalto a Vitamina D3.

Você certamente já ouviu de algum médico que é preciso tomar cuidado com o sol, não é mesmo? Acontece que a exposição solar é fundamental para a produção de vitamina D pelo nosso organismo.

Por isso, quando dizem que o sol é um grande vilão para a saúde, podem estar colocando em xeque a vitamina D e tudo o que ela traz de benefícios para a nossa saúde.

A realidade é que níveis mais altos de Vitamina D previnem muitas doenças crônicas, inclusive o câncer.

Um estudo da Universidade de Bristol, no Reino Unido, evidenciou isso. Após revisar estudos sobre vitamina D e câncer de próstata, a equipe do médico Richard Martin descobriu que homens com concentrações mais baixas de 25(OH)D tiveram um risco duas vezes maior de câncer de próstata mais agressivo.

E de quebra, a vitamina D3 também é importante para aumentar o aporte de testosterona no corpo, como apontou um estudo publicado no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Mas atenção: antes de apenas comprar qualquer vitamina D na farmácia, que nem sempre tem a quantidade necessária de D3 que precisamos para prevenir doenças crônicas, consulte o seu médico para entender os níveis plasmáticos do hormônio em seu sangue.

Por ora, tente se expor ao sol por pelo menos 15 minutos diariamente, com pernas e braços descobertos – garanto que já trará benefícios para todo o seu organismo.

Exame de PSA realmente previne o câncer?

Bom, se eu derrubei o mito da testosterona e o câncer, agora eu preciso de trazer uma verdade sobre o PSA.cSim, esse exame também é cheio de controvérsias.

Para quem não sabe, o PSA é uma proteína produzida pelo tecido prostático.

Conforme a próstata aumenta, algo que ocorre naturalmente com o passar dos anos, há uma maior liberação de PSA.

Então, a sinalização de PSA na corrente sanguínea nem sempre está atrelada ao câncer de próstata.

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Por isso, não existe um consenso se esses benefícios de investigação da doença são realmente relevantes para a população e nem se anulam os riscos que podem representar. Vou explicar.

O rastreamento com base em exames preventivos possibilita a descoberta de um tumor em sua fase inicial.

O incentivo a essa prática, entretanto, não leva em conta a seguinte informação: o câncer de próstata geralmente possui um desenvolvimento muito lento. Muitos homens passam toda a sua vida sem ao menos saber que possuem a doença.

Além disso, infecções e outras condições menos graves – como a Hiperplasia Benigna da Próstata, que altera a produção de PSA – podem ainda estar por trás de anormalidades identificadas em exames preventivos.

O paciente, então, é enviado a uma cirurgia ou biópsia, que além de se tratarem de procedimentos invasivos, dolorosos e representarem risco como infecções e disfunção erétil, podem ter sido absolutamente desnecessários.

Para evitar a ocorrência de alarmes falsos, além de gastos extras com exames enquanto política de saúde pública, atualmente o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional como abordagem ao diagnóstico câncer de próstata.

Agora, imagine o que é passar por uma situação como essa.

Eu já tive pacientes assim. Que fizeram uma cirurgia “preventiva na próstata” e, depois, descobriram não ter nada. É por isso que eu digo que o exame tem a sua importância, mas deve sempre ser uma estratégia individualizada.

Prevenir vai muito além de detectar precocemente. O seu primeiro passo pode ser conhecendo mais sobre a testosterona e perdendo o medo do sol.

Referências bibliográficas:

  • J Clin Endocrinol Metab. 2019;104(8):3148-3156 World Cancer Research Fund International: Vitamin D and prostate cancer
Doutor Victor Sorrentino

Especialista: Doutor Victor Sorrentino

Médico e Autor do livro "Segredos Para Uma Vida Longa"

5 novembro 2020

Médico e Autor do livro "Segredos Para Uma Vida Longa"

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