Nada de ultraprocessados: comida de verdade pelo bem da saúde

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Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

28 julho 2021

Editor

Um levantamento apontou que consumo de alimentos ultraprocessados voltou a crescer no Brasil devido à elevada nos preços dos mercados e também do gás de cozinha; contamos opções saudáveis que podem ajudar a desvencilhar dessa crise

A falta de poder de escolha em supermercados voltou a assustar as famílias brasileiras. Após sete anos do país ter deixado o Mapa da Fome — um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação global de carência alimentar —, o brasileiro volta a se alimentar do jeito que dá. 

No ano de 2014, o Brasil saiu desse grave problema social devido ao alcance do Bolsa Família. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o programa reduziu a pobreza no país em 15%. Já a pobreza extrema caiu 25% naquele ano.

Porém, as notícias atuais não são nada animadoras. A pandemia trouxe uma série de mudanças na vida da população mundial, mas os brasileiros mais pobres estão pagando uma conta muito mais alta. No balanço de 2021 da ONU, o Brasil deve voltar a figurar na geopolítica da miséria mundial.

A cascata de consequências parece ser infinita e já é claramente vista nas idas aos supermercados. A parcela — cada vez menor — da população que ainda consegue fazer feira em mercados comuns já enxerga uma notória diferença no carrinho de compras.

Ultraprocessados e embutidos como ‘saída’ à crise

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que a crise socioeconômica está fazendo o brasileiro consumir mais alimentos ultraprocessados.

As famílias não conseguem mais comprar os alimentos que antes levavam pra casa. Além disso, há outra problemática bastante sintomática: o gás de cozinha está cada vez mais caro. Mesmo que alguns consigam comprar os alimentos, cozinhá-los está saindo mais caro no final do mês.

Segundo um levantamento feito em junho de 2021 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o gás de cozinha está custando, em média, R$ 88,94 no Brasil. Esse valor representa 8,08% do salário mínimo, que é de R$ 1.100.

A saída tem sido uma das piores possíveis à saúde: uma alimentação regada a ultraprocessados e embutidos. A previsão do Idec, inclusive, é de que o consumo desses itens aumente até o final do ano.

Por definição, alimentos ultraprocessados são aqueles produzidos com adição elevada de itens como sal, açúcar, óleos, gorduras, proteínas de soja, do leite e extratos de carne. Normalmente, são ricos em sódio e muito atrapalham na saúde e desenvolvimento humano.

Já os embutidos são alimentos triturados e que costumam durar muito tempo dentro ou fora da geladeira. Eles são guardados sob pressão dentro de tripas naturais ou artificiais, como é o caso da linguiça, salame, mortadela e salsicha.

O médico e especialista da Jolivi, Dr. Mikhael Marques, conta que os malefícios dos ultraprocessados e embutidos são similares aos do cigarro. 

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os dois estão no mesmo nível de risco à saúde humana no sentido de estimular a produção de células cancerígenas”, conta.

Uma pesquisa desenvolvida no Reino Unido comprovou essa relação

Publicado em 2018 no periódico britânico The BMJ, o estudo mostrou que o acréscimo de 10% na proporção de alimentos ultraprocessados ​​na dieta de pessoas comuns foi associado a um aumento significativo de mais de 10% nos riscos de câncer.

Para chegar à conclusão, os estudiosos contaram com a participação de 104.980 participantes, com uma média de 42 anos, na pesquisa. A ingestão alimentar foi coletada usando registros dietéticos repetidos de 24 horas, projetados para medir o consumo usual dos participantes para 3.300 itens alimentares diferentes. 

A ingestão de alimentos ultraprocessados esteve associada ao aumento do risco dos cânceres de mama, próstata e colorretal.

Além do câncer, o consumo desses alimentos está associado a casos de asma em crianças, problemas renais, diabetes, hipertensão, problemas cardíacos e até depressão. De acordo com o Idec, eles podem até ter relação com o aumento da mortalidade a longo prazo.

Potencialize sua saúde com esses superalimentos e consiga tratar e até reverter doenças

Como reduzir consumo: conheça a alimentação plant-based

A dieta plant based é a sugestão apresentada pelo Dr. Mikhael Marques para fugir do consumo dos ultraprocessados. Essa dieta sugere um consumo predominantemente vegetal, com bastante frutas, verduras, leguminosas, grãos integrais, oleaginosas — e menos alimentos de origem animal.

O Dr. Mikhael Marques apresenta um mel bruto para o diabetes tipo 2

Há evidências que apontam para os benefícios dessa orientação alimentar: um artigo publicado no Indian Journal of Community Medicine observou que os okinawanos (nascidos na província japonesa de Okinawa), que comem cerca de 300 gramas de vegetais todos os dias, têm artérias limpas, colesterol regulado e níveis reduzidos de marcadores inflamatórios, como a homocisteína, quando comparados aos ocidentais.

O Dr. Mikhael montou uma lista com itens que são possíveis de comprar nos supermercados brasileiros. Eles têm um cozimento rápido — às vezes nem precisa levar o fogo — e darão uma economia maior ao final do mês. Confira:

  • Banana;
  • Abobrinha;
  • Castanha-do-pará;
  • Abacate;
  • Espinafre;
  • Cenoura;
  • Pepino;
  • Couve-flor;
  • Aveia;
  • Mamão;
  • Acelga; e
  • Pimentão.

O ideal é sempre consumir os vegetais de acordo com a sazonalidade e produção local da região.

Referência:

  • Fiolet T, Srour B, Sellem L, Kesse-Guyot E, Allès B, Méjean C et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort BMJ 2018; 360 :k322 doi:10.1136/bmj.k322

 

 

Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

28 julho 2021

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