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Miocina: o anti-inflamatório natural produzido pelo corpo

A miocina está ligada a uma rotina regrada de exercícios físicos
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Marcello Sapio

Marcello Sapio

28 abril 2021

Redator

A miocina está ligada à atividade muscular e pode ser potencializada com exercícios físicos e uma alimentação regrada

A medicina tradicional tem um repertório vasto de anti-inflamatórios para aliviar as dores no corpo. Porém, existe uma enzima, produzida pelo próprio organismo, que possui efeito muito maior: a miocina.

A enzima é liberada mediante contrações musculares, que são feitas durante uma atividade física. Assim, a miocina age como um poderoso analgésico, combatendo a inflamação diretamente nos músculos durante os movimentos.

Imagina tomar um medicamento para um problema de saúde e ele atuar para a melhora de outro problema? É mais ou menos dessa maneira que a miocina age. Porque, de acordo com profissionais especializados em medicina do esporte, se você está com dor nos ombros e fizer um exercício para as pernas, a liberação dessa substância pode combater exatamente as dores dos ombros.

Por que você pode trocar os anti-inflamatórios pela miocina?

Geralmente, o diagnóstico de dor é acompanhado pela prescrição de um “inofensivo” anti-inflamatório, utilizado de maneira indiscriminada e à disposição de qualquer pessoa no balcão das farmácias.

Porém, quando usados de forma recorrente, esses medicamentos apresentam efeitos colaterais graves, como aponta o especialista JOLIVI, o Dr. Carlos Schlischka: “O uso contínuo desses tipos de remédios provoca lesões na mucosa gástrica do seu estômago, o que pode lhe render uma gastrite, até sangramentos e úlceras. O setor de emergência dos hospitais é lotado de pessoas que chegam com hemorragia digestiva e lesões no estômago.”

Discussão publicada pela revista científica Gastroenterology apontou que o uso de anti-inflamatórios não esteroides são a maior causa de lesão gastroduodenal nos
Estados Unidos. A publicação aponta que 50% das pessoas que usam esses medicamentos regularmente apresentam erosões gástricas. Entre 15% e
30% apresentam úlceras.

No caso dos rins, o medicamento compromete a função de purificar o sangue e eliminar os “maus elementos”. Com isso, aumenta os riscos de ter falência renal e precisar de uma hemodiálise de emergência.

Como liberar a miocina?

Já está claro que a substância é liberada nos exercícios físicos, porém, um deles “lidera” o ranking de liberação da enzima: a musculação. Engana-se quem pensa que essa prática (até esporte, como o caso do fisiculturismo) restringe apenas às pessoas com os corpos fortes e sarados.

A miocina é liberada à mínima contração muscular, e isso ocorre tanto com quem está no primeiro dia levantando peso, quanto com quem já é experiente na prática. Por isso, é fundamental enfatizar que a liberação da enzima não está relacionada diretamente ao peso que é levantado, mas sim sobre a intensidade do exercício feito.

Porém, é muito importante reconhecer a dor como um “termômetro” do que se pode e o que não se pode fazer. Em um exercício em que a dor aumente um pouco, é um aviso de que se deve interromper imediatamente esse movimento. Se a dor não aumentar ou se ela diminuir, é um sinal de que pode continuar fazendo o exercício iniciado.

Outros benefícios da miocina

A miocina também pode ser uma grande aliada em outros fatores, além do seu potencial anti-inflamatório. Ela, quando na corrente sanguínea, ajuda no controle de insulina (ponto importante para o controle do diabetes), no funcionamento do fígado, é responsável pela limpeza do organismo e melhora o fluxo sanguíneo.

Outros fatores também podem ser trabalhados quando se libera a enzima. Assim como um exercício de ombro ou uma flexão pode ajudar com a dor no joelho, já que a miocina se espalha pelo corpo, esse mesmo raciocínio vale para quem tem qualquer outro problema de saúde.

Seja um problema cardíaco, Alzheimer, Parkinson, câncer, doenças autoimunes, etc. Todas melhoram significativamente com a musculação. A musculação só não ajuda no caso de doenças que exigem repouso do corpo, como um resfriado ou uma virose. Nesses casos, é bom dar uma pausa nos treinos.

Estudos mais recentes também mostraram que a miocina ajuda na regulação do apetite e no aumento do metabolismo corporal, o que, alinhado com uma alimentação regrada, possui grande efeito na qualidade de vida.

Alimentação antidor

Com os ingredientes certos, a ação da miocina se exponencia, tornando-a ainda mais forte quando agregada a uma rotina constante de exercícios. Assim, é possível que a alimentação ajude a aliviar os sintomas das dores musculares. Alguns desses alimentos, são:

  • Cúrcuma: também chamada de açafrão-da-terra, seu princípio ativo é a curcumina. De acordo com as informações presentes no Annals of Indian Academy of Neurology e University of California, a curcumina tem o poder antioxidante e anti-inflamatório tão potente que é até capaz de agir contra a oxidação e a inflamação das células nervosas.

 

  • Peperina: a piperina é um composto orgânico, que foi descoberto em 1819 pelo dinamarquês Hans Christian Ørsted, presente na camada superficial da pimenta do reino – que pode variar nas cores preta, vermelha, branca e verde. O alimento é, antes de mais nada, rico em vitaminas A, B1, B2, B6, C, D e E, e em substâncias como o betacaroteno, cálcio e ferro. À piperina são creditados poderes anti-inflamatórios e analgésicos, tanto que muitos medicamentos para a dor têm em suas composições esta substância.

 

  • Azeite de oliva: o oleocantal é uma excelente substância antioxidante e anti-inflamatória. Ele está presente no azeite de oliva extravirgem. Um estudo da Universidade de Londrina com 43 pacientes de artrite reumatoide concluiu que a ingestão de ômega 3 aliviou as dores dos indivíduos e que seu efeito foi potencializado com a suplementação de azeite de oliva (cerca de 9 ml diários). Ela também pode ser uma como uma pomada antidor, massageando no local afetado.

É importante também restringir alguns alimentos que “atrapalham” o funcionamento das enzimas e das proteínas citadas acima. São elas: frituras, alimentos gordurosos — como manteiga e margarina — queijos e doces.

Para ter um efeito melhor e mais personalizado, procure um nutricionista e um educador físico.

Atenção!

Se você não tem a oportunidade de encontrar um profissional de saúde natural ou integrativa, leve essas alternativas naturais ao seu médico ou nutricionista (e neste caso o educador físico também)de confiança e veja o tratamento que mais se encaixa no seu caso.

Referências:

  • SILVA, Fernando Oliveira Catanho da; MACEDO, Denise Vaz. Exercício físico, processo inflamatório e adaptação: uma visão geral. 17 de fevereiro de 2011. 10.5007/1980-0037.2011v13n4p320
  • ARAYA, Tencio, et al. Mioquinas: MEDIADORAS DE LOS EFECTOS DEL EJERCICIO FÍSICO EN LA SALUD. 14 de outubro de 2016.
  • Pedersen, Bente K. “Exercise-induced myokines and their role in chronic diseases.” Brain, behavior, and immunity vol. 25,5 (2011): 811-6. doi:10.1016/j.bbi.2011.02.010
  • Leon, Henry & Melo Moreno, Carlos & Ramirez Villada, Jhon. (2012). ROLE OF THE MYOKINES PRODUCTION THROUGH THE EXERCISE. Journal of Sport and Health Research. 4. 157.
  • Alair Alfredo Berbert, Cacilda Rosa Mitiko Kondo, Cecília Lisete Almendra, Tiemi Matsuo, Isaias Dichi, Supplementation of fish oil and olive oil in patients with rheumatoid arthritis,
    Nutrition, Volume 21, Issue 2, 2005, Pages 131-136, ISSN 0899-9007, https://doi.org/10.1016/j.nut.2004.03.023.
  • Hekmatpou, Davood et al. “The Effectiveness of Olive Oil in Controlling Morning Inflammatory Pain of Phalanges and Knees Among Women With Rheumatoid Arthritis: A Randomized Clinical Trial.” Rehabilitation nursing : the official journal of the Association of Rehabilitation Nurses vol. 45,2 (2020): 106-113. doi:10.1097/rnj.0000000000000162
  • Gastroenterology; February 2018; Volume 154, Issue 3, Pages 500–514
Marcello Sapio

Marcello Sapio

28 abril 2021

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