Medos e anseios: por que o brasileiro está mais ansioso e deprimido?

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Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

21 maio 2021

Editor

Palavras como ansiedade e depressão tiveram uma alta de 98% nas buscas na internet; os transtornos mentais estão aumentando consideravelmente e é preciso ligar o alerta

Tenho medo de gente e de solidão / Tenho medo da vida e medo de morrer / Tenho medo de ficar e medo de escapulir / Medo que dá medo do medo que dá / Tenho medo de acender e medo de apagar / Tenho medo de esperar e medo de partir / Tenho medo de correr e medo de cair / Medo que dá medo do medo que dá

Lidar com o medo, como foi cantado por Lenine e Julieta Venegas, está no cotidiano de muita gente. Sim, cotidiano. Diariamente, milhares de pessoas sentem medo do que nem sabem existir. Insegurança, incerteza, incapacidade. Segundo dados do Google, nunca o brasileiro buscou tanto por termos relacionados a transtornos mentais quanto durante a pandemia do coronavírus.

Ansiedade e depressão. Duas palavras que passaram a ser vividas e sentidas com intensidade. Medo que dá medo do medo que dá. Bernardo, Isabel e Marlene — com seus devidos sobrenomes preservados — são exemplos dessa parcela de pessoas. Eles, e outros tantos, contribuíram para a alta de 98% nas buscas sobre saúde mental no ano de 2020. O crescimento foi maior que a média verificada nos dez anos anteriores.

A população está adoecida e cansada. A falta de perspectivas desanima e os pensamentos negativos tomam conta da cabeça. A expressão “como lidar”, seguida das palavras “ansiedade” e “depressão”, está entre as três perguntas mais buscadas no último ano. Associado a isso, outro recorde entre os brasileiros foi o interesse pelo questionamento do que é o sentimento de felicidade.

Bernardo, Isabel e Marlene têm 28, 22 e 78 anos, respectivamente. Eles não se conhecem, mas compartilham do mesmo trauma: a vivência com a mente adoecida. O medo do dia de amanhã. Marlene, por exemplo, foi diagnosticada com depressão aos 14. Viveu momentos difíceis durante muitos anos, mas conseguiu transformar sua qualidade de vida após conhecer o Dr. Nelson Annunciato.

Uma pesquisa do Instituto Ipsos mostrou que 53% dos brasileiros declararam que o bem-estar emocional piorou — um pouco ou muito — no último ano. Apenas quatro países têm essa porcentagem maior que o Brasil: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%).

A mente adoecida por diferentes perspectivas

 

Isabel é a mais nova do trio entrevistado para essa reportagem. Logo em um dos primeiros anos de um momento tão esperado —a universidade — ela teve que lidar com o isolamento social e com o risco iminente do coronavírus. “Não poder vivenciar essa experiência ainda por completo mexeu muito comigo. Além disso, saber que tenho pais e avós no grupo de risco me atormenta”, relata.

Cabisbaixa, os encontros online com os amigos e as lives de artistas famosos não a entreteram. “Eu me vi cada vez mais reclusa, até que busquei ajuda de um psicólogo. Eu sentia o peso da tristeza e do desânimo nos meus olhos”, conta. Felizmente, Isabel conseguiu reverter seu quadro, mas essa não é a realidade de boa parte dos brasileiros.

 

O isolamento e o perigo iminente trazidos pelo coronavírus aumentou níveis de doenças psicossomáticas

 

 

De acordo com um estudo publicado pela Fiocruz, em parceria com outras seis universidades, em meados de 2020 o sentimento frequente de “tristeza e depressão” afetava 40% da população adulta do Brasil. Já a sensação frequente de ansiedade e nervosismo chegou a ser relatada por mais de 50% das pessoas.

O publicitário Bernardo perdeu o emprego e teve que voltar a morar na casa dos pais. Ele, que já tinha um quadro de ansiedade, viu seu estado piorar gradativamente até chegar a um diagnóstico de depressão. Passou a se tratar e atualmente, um ano após o período mais difícil de sua vida, ele conseguiu um novo trabalho.

“Foi muito, muito, muito difícil. A gente pensa que a depressão é uma realidade distante, mas quando menos esperamos, ela nos visita. E, pra ir embora, não é fácil. Hoje eu tenho consciência que preciso cuidar sempre da minha mente. Nunca mais eu quero experimentar viver esses pensamentos nebulosos de medo, pânico e impotência. Nunca mais”, afirma.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil é o país com a maior prevalência de transtornos de ansiedade nas Américas. O problema afeta quase 10% da população, o que equivale a mais de 18 milhões de pessoas. Já os transtornos depressivos foram relatados por 5,8% dos brasileiros — 11,5 milhões de pessoas.

Psicoterapia pela saúde mental em dia

 

O psicólogo e professor Walker José Lima é um estudioso da saúde mental. Em entrevista concedida à JOLIVI, ele explicou a importância de casos como ansiedade e depressão serem tratados por profissionais. “Sensações de medo e tensão são o corpo dando algum sinal”, ressalta.

Em um vídeo, o psicólogo pontua os sinais que a mente pode estar adoecida e quando — e como — é preciso buscar apoio. Assista:

 

E como buscar a motivação?

 

O Dr. Nelson Annunciato, neurocientista e especialista da JOLIVI, toca em um assunto pertinente a esse universo da saúde mental: motivação.  Em um áudio, especialmente gravado para os internautas e assinantes da JOLIVI, o médico explica tudo em detalhes. Ele pontua como nossa motivação é regida — e como quesitos como crenças e alimentos têm a ver com ela.

 

 

 

Como explicou o Dr. Nelson, a ansiedade pode ser controlada por meio da alimentação. Para isso, é importante estar atento a um cardápio regado aos nutrientes necessários — e sem outros tantos que só fazem mal. Confira o menu ideal para os ansiosos:

  • Nada de cafeína e outros estimulantes do sistema nervoso como nicotina, chá preto, mate, refrigerantes a base de cola; 
  • Limpe a dieta dos alimentos industrializados e priorize a comida de verdade. Ficar uma semana sem consumir produtos alimentícios industrializados pode ser um bom começo;
  • Priorize os alimentos que fortalecem a flora intestinal, como os ricos emprobióticos. Os probióticos estão presentes em alimentos como vegetais fermentados, iogurte natural integral, coalhada, kefir, kombucha, natto e missô. Estes últimos, alimentos resultantes do grão ou da posta de soja fermentada; 
  • Invista em chás calmantes e relaxantes, como o chá de melissa, camomila, valeriana e passiflora.

A virada no quadro depressivo

 

Marlene, citada no começo desta reportagem, é assinante do programa do Dr. Nelson Annunciato. Atualmente ela vive uma nova realidade graças à saúde integrativa. “Fui doente por 62 anos e recuperei a minha saúde quando Deus colocou o Dr. Nelson na minha vida. Eu não só saí da depressão, eu tinha muitas outras coisas e estou completamente curada”, relata.

Mãe de duas filhas, Marlene conta que ambas acompanham sua evolução e destacam que ela passou a fazer coisas que nunca fazia no passado. “Elas admiram minha disposição. Agora eu me recuperei, trabalho o dia inteiro, cuido das plantas. Depois que comecei a tomar os suplementos e tomar tudo certinho, eu estou curada”, diz.

Os suplementos naturais que ajudaram a mudar a realidade da dona Marlene também podem ajudar a redirecionar a vida de tantas outras pessoas. 

Três dicas naturais para combater a depressão

 

Você sabia que o ômega 3, a Erva de São João e a vitamina B12 têm um rico poder de ação na reversão de quadros depressivos? Aprender a usá-los como aliados na luta pela saúde mental vai ser um divisor de águas na vida de quem enfrenta esse problema.

O ômega 3 é uma gordura essencial que cuida da saúde como um todo. No cérebro, ele faz uma grande diferença, principalmente dois de seus principais ácidos graxos, chamados de ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA).

Quando há baixos níveis de ácidos graxos no organismo, a comunicação entre os neurônios é reduzida, o que está diretamente ligado às doenças neurológicas. 

Já a Erva de São João é conhecida por aumentar a disponibilidade de neurotransmissores, como é o caso da serotonina. Além dos seus efeitos antidepressivos, tem poderes anti-inflamatórios e analgésicos.

Enquanto isso, estudos apontam que casos de depressão estão ligados à insuficiência dos nutrientes da vitamina B12 (metilcobalamina) e do ácido fólico (B9 ou metilfolato). Elas são importantes porque induzem o metabolismo a transformar o triptofano em serotonina. Ter deficiência de vitamina B12 também está relacionada a maior incidência de quadros depressivos.

São ricos em B12, principalmente, os alimentos de origem animal, como gema de ovos, fígado, carne de porco, os peixes de águas frias e profundas, leite e derivados.

Alimentos ricos em B9 são os vegetais verde-escuros, levedura de cerveja e fígado de boi.

Atenção

 

Se você não tem a oportunidade de encontrar um médico de saúde natural ou integrativa, leve essas alternativas naturais ao seu médico de confiança e veja o tratamento que mais se encaixa no seu caso. 

Referências:

 

AKHONDZADEH, S. et al.. Passionflower in the treatment of generalized anxiety: a pilot double-blind randomized controlled trial with oxazepam. Journal of clinical pharmacy and therapeutics vol. 26,5 (2001): 363-7. doi:10.1046/j.1365-2710.2001.00367.x 

COOLEY, K. et al.. Naturopathic Care for Anxiety: A Randomized Controlled Trial. PLoS ONE, 2009; 4(8): e6628. doi:10.1371/journal.pone.0006628

 

Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

21 maio 2021

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