Mascne: como tratar a ‘espinha’ causada pelo uso de máscara

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Dr. Wilson Rondó

Dr. Wilson Rondó

Médico Cirurgião Vascular e Nutrólogo

CRM: CRM 47078/SP

14 maio 2021

Dr. Wilson Rondó é médico formado em cirurgia vascular e especialista em nutrologia. Em seus 33 anos de profissão, já atendeu 20 mil pessoas. Percorreu diversos países pioneiros na visão integrativa do paciente, como França, Alemanha e Estados Unidos, em busca de respostas para o diabetes e a obesidade.

Óleo de coco e óleo essencial de melaleuca são boas opções para reduzir a inflamação; Dr. Rondó traz estratégias naturais para cuidar do rosto em tempos de pandemia

Neste momento de pandemia, estamos vivendo situações que jamais poderíamos pensar. E o uso de máscaras por longos períodos de tempo é um exemplo. 

Neste caso, como consequência, têm surgido manifestações de acne relacionadas ao contato com a máscara ao redor da boca e do nariz e no queixo, hoje chamado de mascne. A mascne é um tipo de “espinha”, então, causada pelo uso de vários tipos de máscara.

Aqui, não estou comentando se o uso de máscaras é algo adequado ou não, mas mostrando soluções possíveis no caso das pessoas que estão tendo algum tipo de irritação de pele ou acne. Combinado?

O que é mascne?

 

Esse termo significa a presença de acne por atrito (mecânica) causada pelo uso de máscara, quando a fricção do tecido com a pele causa obstrução de poros e espinhas.

Porém, é muito mais do que simplesmente atrito. É também uma reação imunológica:

  • ao material da máscara relacionada;
  • a falta de oxigênio; 
  • a redução do fluxo de ar; 
  • o acúmulo de umidade; e
  • o acúmulo de carga bacteriana.

Antes da Covid-19, a maior frequência de acne por atrito era causada pelo uso de equipamentos esportivos, sutiãs, óculos, cintos, ou seja, tudo que ficasse apertado contra a pele. 

Isso surgiu com a pandemia, pois nunca na história as pessoas normais foram solicitadas a colocar máscaras sobre o nariz e a boca durante a maior parte do dia. 

Trata-se de um assunto novo, cuja única pesquisa no caso é observacional. 

Não existem ensaios controlados, e na verdade o assunto é investigado por médicos e pesquisadores. 

Máscaras diferentes têm problemas diferentes

 

Todas as máscaras podem potencialmente trazer algum problema, pois são feitas de materiais diferentes:  

– As máscaras N95 são as mais sofisticadas, de design apertadas contra a face e restringem o fluxo de ar. Com isso, criam um ambiente quente e úmido entre a máscara e a pele. Neste caso, a pressão é grande o suficiente para deixar vergões ou hematomas, estimulando a acne por atrito.

– As máscaras cirúrgicas descartáveis ​​não são tão apertadas, mas são   impermeáveis ​​o suficiente para criar problemas.

– As máscaras de tecido permitem que o ar flua, para o bem ou para o mal, mas também acumulam muita gordura, sujeira e bactérias.

– As máscaras de seda são bem confortáveis para a pele, mas sua capacidade de filtrar partículas virais é questionável.

Alimentação antiacne

 

Basicamente, a acne é uma condição inflamatória, às vezes de causa hormonal, mas no caso mascne o processo é por atrito.

Mesmo assim, deve-se enfatizar uma alimentação que ajude a evitá-la. 

Para isso consuma:

– Alimentos ricos em zinco, como carne vermelha e de órgãos de animais criados à pasto, além de ostras. Dependendo do caso, deve ser usado o zinco na forma de suplemento também.

– Consuma boa fonte de ômega-3 marinho, pois sabemos que quanto maior sua concentração, menor é a incidência de acne. Consuma peixes de águas profundas ou um suplemento de krill oil.

– Evite alimentos refinados, industrializados, açúcares e grãos, pois eles estimulam a geração de insulina, o que consequentemente ativa a produção de IGF-1, aumentando a presença de gordura na pele.

E mais, quando se mantêm os níveis cronicamente altos de insulina haverá maior obstrução dos poros.       

Os pacientes com resistência à insulina são os que apresentam quadros piores de acne e outras doenças inflamatórias, segundo estudo recente realizado durante a pandemia de COVID-19.

– Procure tomar banhos de sol para elevar a vitamina D3, pois esta apresenta um papel fundamental na inflamação da pele. Se não for possível, deve-se suplementá-la. 

Atitudes diárias com as máscaras

 

Durante o dia procure mudar de máscara ao menos 2 vezes.

Lave suas máscaras de pano com a mesma frequência com que você lavaria suas roupas. Procure usar detergentes ecológicos e sem fragrâncias, assim evitará possíveis irritações de pele.

Evite guardá-la no porta-copos do carro entre os usos. 

Evite usar a mesma máscara que você tirou às pressas do bolso, ainda gordurosa da última vez que a usou.

Modere ou evite os produtos faciais agressivos

 

Há situações bem toleradas quando se faz em época fora de pandemia, quando não se precisava usar máscara. Estas condições jamais foram testadas com o uso diário de máscara, como vem acontecendo agora. 

São elas:

– Maquiagem sob a máscara, apenas promove obstrução e a formação da acne  

– Loções pós-barba alcoólicas 

– Peelings químicos 

– Tratamentos para acne que ressecam sua pele, 

– Esfoliantes, que não foram desenvolvidos levando em conta o uso de máscara. 

Influência da máscara no microbioma da pele

 

Em condições normais, nossa pele tem um microbioma com equilíbrio de bactérias benéficas, que desempenham uma proteção vital. 

Com o uso crônico da máscara, as bactérias da sua boca contaminam o interior da sua máscara (por causa da fala e respiração bucal constante). Assim há a hipótese de se estar respirando essas bactérias patogênicas, o que piora a sua imunidade, predispondo a Covid-19.

Nas pessoas que além disso usam maquiagem, acaba-se induzindo a obstrução dos poros e formação de acne.

Nos casos de máscara de tecido, muitas vezes elas não são lavadas com a frequência necessária, trazendo uma série de bactérias que ficam em contato direto com a pele. 

E quando se lava com detergentes não ecológicos ou se utiliza fragrâncias não naturais, acaba se promovendo agressões e irritações na pele. Isso sem dizer do tipo de tecido que por si só pode ser causador dessas agressões.

Provavelmente com todos esses fatores e uso crônico da máscara, haverá um desequilíbrio desse microbioma. O resultado é a redução de bactérias degradadoras de amônia, o que predispõe a irritação e a acne. 

Associado a isso, todos esses agressores causam alteração de pH da pele, reduzindo a sua proteção natural.   

Para evitar o problema, deve-se estimular ou suplementar bactérias degradadoras de amônia, que podem modular o ambiente imunológico da pele e recuperar o pH adequado da derme. 

Com essa estratégia, pode-se potencialmente anular as agressões que as máscaras estão gerando e evitar a formação de acne.

Apesar de não estar formalmente estudada no tratamento de mascne, vale a pena tentar reparar esse equilíbrio bacteriano com um “probiótico de pele”, que coloniza bactérias degradadoras de amônia, carentes na pele propensa à acne.

A CONTA da sua falta de energia chegou

Depois dos 50 anos, as pessoas se acostumam a passar os dias no sofá, porque pensam que ter vigor e energia são “coisa de gente jovem”. Mas o que elas nem imaginam é que essa preguiça crônica, dificuldade de respirar ao subir escadas e até as falhas na memória podem ser culpa da falta de um nutriente específico no corpo - algo que acomete a quase todo mundo que passa dos 50.

O Dr. Fernando Scremin explica aqui como reverter essa doença

Estratégias terapêuticas naturais para lidar com a mascne

 

  1. Tônico facial de vinagre de maçã 

O vinagre de maçã pode ser usado em massagens faciais para estimular a vitalidade, e além disso, restaura o equilíbrio ácido/básico da pele, retira as células mortas e restos tóxicos da pele.

Dilua em partes iguais água mineral e vinagre de maçã orgânico (5 ou 6% de acidez). Passar na pele usando um disco de algodão evitando a área dos olhos. Haverá uma reação ácida, que expulsa os tóxicos através dos bilhões de poros.

Faça isso de tempos em tempos para um ótimo efeito, assim conseguirá uma pele saudável, luminosa e com boa aparência.  

É opcional lavar o rosto poucos minutos após a aplicação.

  1. Óleo de coco com Tea tree oil

Esta associação tem efeito potencializado contra as bactérias causadoras das lesões e inflamações na pele.

Misture 02 colheres de sopa de óleo de coco com um pouco de óleo essencial de Melaleuca alternifolia (tea tree oil).

Aplicar na pele uma pequena quantidade, para observar se não desenvolve irritação, pois óleos essenciais devem ser iniciados com muito cuidado.

Por um lado, o óleo de coco é ótimo para a pele. Quando usado topicamente, tem efeito antioxidante e anti-inflamatório. Fortalece a epiderme, remove células mortas, apresenta proteção contra atritos na pele e acelera o processo de cicatrização. 

Além disso, tem ação antifúngica, antibacteriana, antiviral e antimicrobiana, eliminando bactérias ruins e promovendo a recuperação da ecologia da pele pela sua ação probiótica.

Já o óleo de Melaleuca, pela presença de terpeno em alta concentração, também tem efeito antiviral, antibacteriana e antifúngico, o que potencializa a resposta terapêutica. 

Pode ser usado somente nas áreas lesionadas ou em todo o rosto, mas aconselho que durante o dia só coloque nos pontos mais agredidos e à noite pode-se espalhar essa mistura pela face. Ainda fica a opção de à noite só usar óleo de coco antes de deitar.

Com essa estratégia, é possível recuperar as bactérias boas perdidas e eliminar as desfavoráveis, protegendo contra lesões irritativas na pele e acnes. 

Eu lhe desejo dias melhores,

Dr. Wilson Rondó Jr.

Referências bibliográficas:

 

  • Prostaglandins Other Lipid Mediat . 2017 Jan;128-129:1-7
  • Minerva Endocrinol. 2020 Dec;45(4):345-353
  • Am J Clin Dermatol. 2018 Aug;19(4):505-516
  • Proceedings of the American Thoracic Society. Anatomy and Physiology of the Upper Airway. July 13, 2010. Volume 8, Issue 1
  • E- Book. Vinagre de maçã: O líquido dourado para ontem
  • Livro Óleo de coco: A gordura que pode salvar sua vida
Dr. Wilson Rondó

Dr. Wilson Rondó

Médico Cirurgião Vascular e Nutrólogo

CRM: CRM 47078/SP

14 maio 2021

Dr. Wilson Rondó é médico formado em cirurgia vascular e especialista em nutrologia. Em seus 33 anos de profissão, já atendeu 20 mil pessoas. Percorreu diversos países pioneiros na visão integrativa do paciente, como França, Alemanha e Estados Unidos, em busca de respostas para o diabetes e a obesidade.

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