Fitoterapia: o segredo dos índios para a cura de doenças

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Marcello Sapio

Marcello Sapio

16 abril 2021

Redator

Plantas e ervas são usadas há milênios pelos seres humanos como ritual de cura para as doenças, que hoje são base da fitoterapia

Quem nunca na vida se perguntou “mas como a gente sabe que isso faz bem ou que faz mal?” ao tomar algum chá de planta. Para saber a resposta, é preciso voltar no tempo desde a época da pré-história. A relação entre o ser humano e as plantas vem muito antes disso.

Ao longo dos séculos, o mundo foi evoluindo. Mas essa ligação continua firme, seja com os famosos “truques de vó” — que possuem “curiosamente” uma taxa de cura altíssima —, seja com os indígenas, que usam até hoje os ensinamentos passados de geração em geração. Como é o caso da etnia dos Tenharim Marmelos, localizados no estado do Amazonas.

O benefício das plantas na fitoterapia

As plantas medicinais vêm se tornando um caminho viável para o tratamento de doenças e de problemas crônicos. Além de ser uma alternativa natural, estudos ao redor do mundo comprovam uma eficácia até maior que diversos remédios alopáticos e patenteados pela indústria farmacêutica.

Por serem naturais, o risco de efeito colateral das plantas medicinais é praticamente zerado, sendo menos agressivas ao nosso organismo e ao meio-ambiente, por serem biodegradáveis. Entre algumas das enfermidades que podem ser tratadas com as plantas e ervas medicinais, estão:

  • Diabetes: o chá de canela, carqueja ou pata-de-vaca são bons remédios naturais para ajudar no controle da glicose no corpo;
  • Pressão alta: um bom remédio caseiro é tomar o suco de mirtilo diariamente ou consumir a água de alho, por exemplo. Além disso, vários tipos de chás, como o chá de hibisco ou folhas de oliveira também são boas alternativas;
  • Problemas de digestão: tomar alguns chás com propriedades tanto calmantes quanto digestivas, como boldo, erva-doce, hortelã e macela, são boas soluções caseiras.

A solução indígena para a imunidade

A história das plantas fitoterápicas indígenas é muito extensa, se formos colocar na ponta do lápis, tem muito o que falar”, diz Angelisson Tenharim, liderança indígena a nível nacional e pertencente a etnia dos Tenharim Marmelos, em uma entrevista para a JOLIVI.

Entre um leque vasto de tratamentos, Angelisson destacou a casca de quina-quina: “Aqui na nossa região, muita gente acredita que o quina-quina fez parte do aumento da imunidade das populações”.

A árvore, que é típica das regiões tropicais, pode variar entre os 5 e 8 metros de altura e é amplamente utilizada nas aldeias como uma espécie de “planta curandeira”, podendo ser aproveitada desde a sua casca, até as folhas para infusões, como Angelisson destaca.

Inclusive, foi a partir da crença indígena que foi descoberto pela ciência, posteriormente, que o princípio ativo da árvore, a quinina, é a matéria-prima para os medicamentos contra a malária.

Angelisson segura a casa da árvore Quina Quina, bastante usada na fitoterapia

Angelisson Tenharim com a casca de Quina-Quina (Acervo Pessoal)

A nutricionista e professora especializada em fitoterapia Lara Gabriela Cerqueira, autora do projeto mensal Plantas & Bem-Estar, exaltou a cultura indígena e citou a importância do conhecimento ancestral para o que se estuda atualmente como fitoterapia: “Independente de ter comprovação científica ou não, é importante chamarmos a atenção para as plantas e a relação indígena, porque a ciência ainda é muito limitada e a prática popular (como é o caso dos Tenharim) é até reconhecida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”.

O poder do chá na ‘saúde de ferro’ dos índios

Dentro do escopo da fitoterapia, os chás ganham muito espaço por serem tratamentos acessíveis e que agregam, muitas vezes, um sabor diferente à rotina. A tradição das infusões é enraizada na cultura das mais de 300 etnias indígenas que vivem hoje no território brasileiro.

E uma das “causas” mais enfrentadas pelos chás é a questão da imunidade. Uma pauta que, inclusive, ganhou muita importância nos últimos anos. À JOLIVI, Angelisson compartilhou a lista de três chás potentes para fortalecer o sistema imunológico, usadas na etnia dos Tenharim, e que são fáceis de se encontrar:

  • Chá de casca de quina-quina;
  • Chá de mastruz (erva de Sta. Maria);
  • Chá de copaíba com mel.

Claro, aqui não se trata de uma recomendação médica, mas sim de indicações baseadas na cultura indígena, em específico a dos Tenharim. Se você quer saber mais sobre tratamentos e curas através das plantas e recomendações específicas para sua saúde, acesse o Plantas & Bem-Estar, publicação da JOLIVI feita pela nutricionista e fitoterapeuta Lara Gabriela Cerqueira.

Atenção

Se você não tem a oportunidade de encontrar um profissional (nutricionista ou médico) de saúde natural ou integrativa na sua cidade, leve essas alternativas naturais ao seu médico de confiança e veja o tratamento que mais se encaixa no seu caso.

[Vídeo] Quais plantas são melhores que remédios?

Você já ouviu falar no suco refrescante que pode aliviar o refluxo? E no chá que tem poderosos efeitos anti-hipertensivos? Em vídeo inédito, a nutricionista Lara Gabriela Cerqueira, professora especializada em fitoterapia, revela tudo sobre o mundo das plantas medicinais.

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Marcello Sapio

Marcello Sapio

16 abril 2021

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