Entenda a relação entre a vacina da Janssen e a síndrome de Guillain-Barré

Maior Menor

Os Estados Unidos constataram casos raros — abaixo de  0,1% — de pessoas que desenvolveram a síndrome de Guillain-Barré após tomarem a vacina da Janssen; médico explica  por que você não precisa ter medo de se imunizar contra a Covid-19

A vacinação contra a Covid-19 avança no Brasil e no mundo. Alguns países, como Estados Unidos e Inglaterra, já veem os resultados positivos da imunização e vivem uma queda brusca no número de casos, internações e mortes. As restrições diminuem e a vida vai voltando ao “normal”.

No Brasil, quatro imunizantes receberam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para utilização: Pfizer, Astrazeneca, Coronavac e Janssen — essa última, aplicada de forma única.

Reações adversas podem estar associadas às vacinas e uma notícia vinda dos EUA nos últimos dias tem preocupado a população: casos de síndrome de Guillain-Barré associados à vacina da Janssen.

Aqui na Jolivi, “os pingos nos is” são colocados e você entenderá o que é a síndrome, assim como a sua incidência pós-vacina. Mas já saiba que não há recomendações dos órgãos de saúde para a interrupção desta vacina.

Qualquer vacina aprovada pela Anvisa é segura, protege contra a Covid-19 e deve ser tomada sem receio. A vacinação em massa também é um contrato social e responsabilidade de todos.

Constatação dos EUA

Na última semana, o Food and Drug Administration (FDA) dos EUA – órgão semelhante à Anvisa — atualizou o rótulo da Janssen e afirmou que ela pode trazer risco da síndrome de Guillain-Barré nas pessoas vacinadas.

O número de casos, no entanto — e ainda bem! — é ínfimo, não chegando a nem 0,1% dos casos. Também de acordo com o FDA, foram identificados 100 relatos da síndrome entre as mais de 13 milhões de doses aplicadas. Ou seja, 0,0008% do total.   

O alerta da FDA diz que os sintomas começam a aparecer até 42 dias depois da vacinação, mas destaca que a ocorrência é “muito baixa”. Após a decisão do órgão sanitário americano, a agência de medicamentos da União Europeia (EMA) disse que está analisando os dados antes de se posicionar. 

O que é o Guillain-Barré?

O médico e especialista da Jolivi, Dr. Carlos Schlischka, detalhou o problema. “A síndrome é uma doença autoimune grave em que o próprio sistema imunológico passa a atacar as células nervosas, levando à inflamação nos nervos e, consequentemente, fraqueza e paralisia muscular, podendo, em alguns casos, ser fatal”, detalha.

A síndrome tem progressão rápida e a maioria dos pacientes recebe alta após quatro semanas. Porém, o tempo de recuperação total pode demorar meses ou anos. A maioria dos pacientes se recupera e volta a andar após o período de seis meses a um ano de tratamento.

Com um desenvolvimento rápido, a Guillain-Barré pode deixar a pessoa paralisada em menos de três dias. “No entanto, nem todas as pessoas desenvolvem sintomas graves”, enfatiza o Dr. Carlos. Os principais sinais da doença são:

  • Fraqueza nos braços e pernas;
  • Incômodo no diafragma e músculos da face e boca – pode prejudicar a fala e a alimentação;
  • Formigamento e perda de sensibilidade nas pernas e nos braços;
  • Dor nas pernas, quadril e nas costas;
  • Palpitações no peito, coração acelerado;
  • Alterações da pressão, podendo haver pressão alta ou baixa;
  • Dificuldade para respirar e para engolir, devido à paralisia dos músculos respiratórios e digestivos;
  • Dificuldade em controlar a urina e as fezes; e
  • Medo, ansiedade, desmaio e vertigem.

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Os riscos para quem foi diagnosticado

Quando o diafragma é atingido, o paciente pode começar a sentir dificuldade para respirar. “Neste caso, é recomendado que a pessoa seja ligada a aparelhos que ajudem a respirar, já que os músculos respiratórios não funcionam corretamente, podendo resultar em asfixia e o paciente precisar ventilação artificial”, alerta o Dr. Carlos.

No caso da relação com a vacina da Janssen, cerca de 60% das pessoas que desenvolvem o problema tiveram diarreia ou doença respiratória causada por infecção pela bactéria campylobacter jejuni — que leva ao problema intestinal.

A doença pode deixar algumas sequelas e as mais comuns são hipotonia (diminuição do tônus muscular), hiporreflexia (diminuição dos reflexos do corpo), déficit de força e hipotrofia muscular — principalmente nas pernas —, déficit no equilíbrio e alterações na marcha (descontrole no apoio e no balanço natural do corpo).

O Dr. Carlos pontua que, para prevenir essas sequelas, o mais recomendado é fazer um tratamento integralmente hospitalar “à base de imunoglobulinas, plasmaferese (filtração do sangue com o objetivo de remover o excesso de substâncias que podem estar causando a doença) e fisioterapia”.

Um ensaio publicado em 2013 na Cochrane Library estudou 37 pacientes acometidos pela síndrome, que foram submetidos ao processo da plasmaferese — o tratamento mencionado pelo Dr. Carlos. Os resultados foram satisfatórios na maioria dos pacientes, sendo percebida a estabilização do avanço da síndrome em seus respectivos organismos.

A suplementação pode ajudar quem já foi diagnosticado?

O Dr. Carlos compartilhou uma lista de suplementos que podem acompanhar o tratamento definido pelo médico para pacientes diagnosticados com a síndrome. De acordo com o médico, eles podem deixar o organismo mais forte. São eles:

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Uma revisão norte-americana publicada no jornal científico BMJ Open apontou o ômega 3 como um rico nutriente em casos de danos aos nervos periféricos, inclusive após casos de Guillain-Barré.

De acordo com os pesquisadores, prevenir danos progressivos aos nervos ainda é um desafio clínico, mas os ácidos graxos do ômega 3 estão implicados no desenvolvimento e manutenção de nervos saudáveis ​​e podem ser benéficos para a promoção da saúde dos nervos periféricos. 

O Dr. Carlos reforça que o acompanhamento médico é fundamental para orientar sobre dosagens — que variam de caso a caso. Evitar o consumo de álcool é necessário pois a bebida é altamente inflamatória para os nervos.

Referências:

  • Food and Drug Administration, Janssen COVID-19 Vaccine. 07/12/2021.
  • Hughes  RAC, Pritchard  J, Hadden  RDM. Pharmacological treatment other than corticosteroids, intravenous immunoglobulin and plasma exchange for Guillain‐Barré syndrome. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 2. Art. No.: CD008630. DOI: 10.1002/14651858.CD008630.pub3. Accessed 21 July 2021.
  • Alexis Ceecee Zhang, Richard J MacIsaac, Leslie Roberts, Jordan Kamel, Jennifer P Craig, Lucy Busija, Laura E Downie. Omega-3 polyunsaturated fatty acid supplementation for improving peripheral nerve health: protocol for a systematic review. BMJ Open, 2018.

 

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