É possível curar a impotência sexual do diabetes? Médico explica

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Editora

Homens e mulheres podem enfrentar queda de libido e, na ala masculina, disfunção erétil. Existe cura para impotência sem as comuns próteses penianas?

O diabetes se manifesta de diversas formas no corpo. Fora os sintomas, as pessoas que convivem com a doença precisam lidar com as consequências — algumas mais conhecidas, como problemas de visão. Já outras são vividas muitas vezes em silêncio. É o caso da disfunção erétil e outros problemas relacionados ao sexo.

Uma meta-análise publicada no jornal científico Diabetic Medicine, da British Diabetes Association, afirmou que a impotência sexual atinge 52,5% dos pacientes com a doença. Entre os pacientes com diabetes tipo 2, o índice chega a 66,3%.

Qual é a relação entre diabetes e impotência sexual?

Uma série de mecanismos do diabetes podem piorar — e até anular — a vida sexual de pessoas com a doença.

De acordo com o Dr. Naif Thadeu, cirurgião, nutrólogo e responsável pelo Protocolo Contra o Diabetes na Jolivi, o indivíduo com diabetes tem baixa produção de testosterona, já que este mal compromete o organismo como um todo. Por si, isso já tem impacto na libido em ambos os sexos.

Depois, existe a questão da circulação sanguínea. Quando a glicemia está fora do controle, o sangue é “caramelizado” em um processo chamado de glicação. Aqui, em vez de transportar oxigênio, a hemoglobina acaba se associando ao açúcar que está excedente na corrente sanguínea.

Esse combo nada desejável resulta em veias se estreitando e endurecendo, ficando ainda mais difícil deste sangue também comprometido passar.

Com a circulação comprometida, o indivíduo com diabetes pode acabar com dificuldades em ter e manter ereções.

A ereção também sai perdendo. Isso porque o pênis é um órgão extremamente vascularizado, uma vez que, para acontecer, a ereção depende de um grande fluxo de sangue indo para o local.

O diabetes prejudica a circulação e, sem ela, sem ereção. Às vezes, o pênis pode até enrijecer, mas é difícil mantê-lo neste estado. “O homem depende de ereção suficiente para a penetração e, para que a relação tenha prosseguimento, ela precisa se manter”, pontua o Dr. Naif.

E não pense que este problema é exclusivo dos homens: a ala feminina também tem a vida sexual comprometida pela glicemia descompassada. Apesar de não prejudicar a lubrificação, o diabetes impacta significativamente a libido feminina.

“A mulher com diabetes segue com a secreção vaginal, mas existe a redução da circulação, inclusive em volta do clitóris, que é a área mais sensível. Por isso, o diabetes pode, sim, impactar bastante a libido feminina”, pontua o Dr. Naif.

Por isso, é fundamental tratar o diabetes para retomar o controle sobre a vida sexual.

Diabetes e impotência sexual: existe cura?

Entre os anos 80 e 90, era comum o Dr. Naif Thadeu — que é cirurgião — colocar próteses penianas em homens que sofriam disfunção erétil vinda do diabetes.

“Meu protocolo era basicamente cirúrgico, já que eu não sabia como reverter o diabetes e suas complicações mais comuns. Isso ficou para trás, naturalmente”, afirma o médico.

Contudo, hoje, ele afirma que é possível não apenas reverter o diabetes como, também, seus efeitos na vida sexual. É o que ele ensina no Protocolo Contra o Diabetes.

No programa, o médico mostra uma série de hábitos, substâncias e suplementos que nocauteiam a glicemia alta e devolvem a qualidade de vida de antes.

Uma delas melhora a circulação, ajudando a devolver a capacidade do pênis endurecer, e participa da reação de hormônios, atuando para despertar a libido. É o óxido nítrico.

A ciência já consagrou a relação entre a substância e ereções penianas há anos, com artigos publicados, inclusive, no jornal científico The Journal of Urology, da American Urology Association.

O óxido nítrico é um gás que dilata os vasos sanguíneos. Você o ativa por meio da suplementação. A maca peruana é um desses agentes.

De acordo com o Dr. Naif Thadeu, essa é uma das substâncias que ajudam. Porém, para encarar o problema de frente e voltar a ter prazer na cama de vez, é preciso lidar com o diabetes. É isso que o médico ensina em seu protocolo.

“Devemos mirar na raiz do problema, e não só apostar em uma pílula (azul) para atenuar um sintoma”, finaliza o médico.

QUERO DAR ADEUS AO DIABETES E RETOMAR MINHA VIDA SEXUAL SEM REMÉDIOS

Referências:

  • Kouidrat Y, Pizzol D, Cosco T, Thompson T, Carnaghi M, Bertoldo A, Solmi M, Stubbs B, Veronese N. High prevalence of erectile dysfunction in diabetes: a systematic review and meta-analysis of 145 studies. Diabet Med. 2017 Sep;34(9):1185-1192. doi: 10.1111/dme.13403. Epub 2017 Jul 18. PMID: 28722225.
  • Burnett AL. Nitric Oxide in the Penis: Physiology and Pathology. doi.org/10.1016/S0022-5347(01)65369-2
  • Burnett AL. Novel nitric oxide signaling mechanisms regulate the erectile response. Int J Impot Res. 2004 Jun;16 Suppl 1:S15-9. doi: 10.1038/sj.ijir.3901209. PMID: 15224130.
Ana Paula de Araujo

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