Pesquisadores lançam dispositivo para identificar casos de Alzheimer e Parkinson

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Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

16 junho 2021

Editor

Desenvolvida em Campinas, a nanoestrutura pode mudar as investigações e diagnósticos de doenças neurodegenerativas e até mesmo de alguns tipos de câncer

Uma novidade vinda do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), localizado na cidade de Campinas (SP), pode mudar as investigações de doenças neurodegenerativas — como é o caso do Alzheimer e do Parkinson.

Nesta terça-feira (15) foi anunciada a criação de uma nanoestrutura com alta sensibilidade para detectar dopamina, que é o neurotransmissor relacionado a essas enfermidades.

Denomina-se nanoestrutura quando uma plataforma tem tamanho intermediário entre estruturas microscópicas e moleculares. Ou seja, trata-se de algo que chega a ser três vezes menor que um fio de cabelo.

Os pesquisadores acreditam que o dispositivo, criado no Laboratório Nacional de Nanotecnologia, pode trazer celeridade e facilidade no diagnóstico de pacientes acometidos com essas patologias neurodegenerativas. A expectativa é que esse dispositivo faça o teste rápido a partir de uma gota de sangue.

Esse procedimento dará a chance de confirmar casos de Alzheimer, Parkinson e também servirá de base para a descoberta de outros diagnósticos, como alguns tipos de câncer.

O que pensa o Dr. Nelson Annunciato

O neurocientista e especialista da JOLIVI, Dr. Nelson Annunciato, é criterioso quanto à novidade. “Eu tenho receio de falar que uma coisa que vai medir dopamina possa detectar o Alzheimer também. Quando se fala do Parkinson, tudo bem, o Parkinson tem muito a ver com a dopamina. Porém, a primeira pergunta é: por que o indivíduo está produzindo menos dopamina?”, questiona.

O Dr. Nelson explica que o Alzheimer não tem a ver com a dopamina, mas sim com outro neurotransmissor chamado acetilcolina. “Por isso, não entendi a relação entre a dopamina com o Alzheimer. Ok, a dopamina participa de doenças neurodegenerativas, mas não de todas elas. No caso do Alzheimer, é a acetilcolina”, pontua.

De acordo com o neurocientista, na saúde integrativa nós nunca podemos partir do princípio que apenas um neurotransmissor possa ser responsável por funções ou doenças complexas. “É o mesmo caso do medicamento que foi aprovado na última semana para tratar o Alzheimer. A gente tem um somatório de coisas para que o indivíduo desenvolva a doença. É difícil imaginar que um medicamento sozinho possa solucionar um problema tão complexo. Há muita coisa envolvida”, finaliza o Dr. Nelson.

No programa SuperCérebro sem Alzheimer, o Dr. Nelson Annunciato apresenta uma  solução natural capaz de regredir lapsos de memória, esquecimentos e até mesmo os sintomas de Alzheimer.

A nanoestrutura demorou cerca de quatro anos para ficar pronta. A partir de agora, os pesquisadores do CNPEM devem dedicar os próximos dois anos para fazerem testes em situações mais semelhantes ao real.

Mas isso não quer dizer que o material ainda não tenha potencial para uso. De acordo com os estudiosos, já foi provado que o dispositivo é fabricável e, quando criado, dá a possibilidade de ser usado por até cinco vezes.

Toda a pesquisa e trabalho relativos ao desenvolvimento da estrutura já foram publicados na revista científica Advanced Materials. A patente da nanoestrutura também já foi solicitada pelo CNPEM.

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Pedro Bezerra Souza

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