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Da criança exausta, ao médico pesquisador da fadiga

Maior Menor
Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

23 abril 2021

Editor

Quando criança, ele tinha  fama de preguiçoso; mas cresceu, conseguiu descobrir o próprio diagnóstico e pesquisar tratamentos para sua doença

Uma criança que se cansava bem mais cedo do que os amigos da mesma idade. Essa é uma das lembranças que o médico Mikhael Marques tem da sua infância na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Sem conhecer o motivo a fundo, cresceu sendo, inclusive, taxado como o “preguiçoso” da turma.

Não havia atividade que não viesse acompanhada de longos períodos de cansaço para Mikhael. Seja no levanta-e-senta dos rituais de uma missa, seja nas brincadeiras de escola. “Eu ficava impressionado como as pessoas estavam em pé por muito tempo e não se cansavam. Eu não conseguia”, lembra.

Ao entrar na adolescência, os sintomas foram aumentando. Por volta dos 17 anos, o então futuro médico competia de mountain bike e, assim, passou a ter uma nova fiel companheira: as câimbras. “Elas eram alucinantes, doíam muito”, relata. Mais pra frente, porém, ele pôde ter acesso ao cloreto de magnésio — o que foi um alívio.

 

 

O Dr. Mikhael Marques nos braços da avó paterna

 

Fadiga atestada aos 29

 

Após um período de infância e adolescência com certas limitações — até então com o motivo desconhecido —, foi apenas aos 29 anos que Mikhael conseguiu descobrir a verdade sobre o cansaço que o acometia desde sempre: a (síndrome da) fadiga crônica. 

“Eu tinha fadiga incapacitante, raciocínio lento, memória ruim. Então, vinha tratando da síndrome da fadiga crônica desde a minha adolescência, sem nem saber que se tratava dela. Eu buscava alimentos e suplementos que me ajudassem. Não sabia que tinha algo errado, só me sentia menos que os outros”, relata.

Ainda antes de descobrir a doença, Mikhael Marques descobriu o magnésio, a vitamina B12, o cortisol – mais pra frente falamos mais deles. “Com toda essa descoberta, eu via minha vida mudar, mas só descobri a síndrome da fadiga crônica depois”, conta.

Médico recém formado e pesquisando bastante o nome que daria aos sintomas que conhecia há tantos anos, o mineiro foi a um laboratório fazer um exame de saliva, chamado perfil hormonal salivar. Os resultados mostraram que as medições de cortisol do seu organismo estavam muito abaixo da referência ideal. 

“Ali eu confirmei a fadiga adrenal, que era o diagnóstico que tinham me dado. Com isso, comecei a fazer a reposição hormonal e a sentir uma melhora significativa. Mas não parei aí, continuei com meus estudos e descobri ainda mais”, explica o Dr. Mikhael Marques. 

Anos depois, ele foi ao Canadá ministrar algumas aulas em um congresso e, uma dessas matérias, era sobre um outro tipo de fadiga, a  crônica — também conhecida como encefalomielite miálgica. Lá, ele entendeu que a fadiga adrenal não existe. “Me preparando para essa aula, eu não tive dúvidas e entendi o que acontecia comigo”, lembra o médico.

 

Atualmente, o Dr. Mikhael Marques é um estudioso da medicina integrativa

Descobertas no Canadá

 

Durante seus estudos para lecionar no país norte-americano, Mikhael leu todos os critérios referentes à síndrome da fadiga crônica e atestou que, na verdade, tinha essa forma doença, e não a chamada fadiga adrenal. Segundo o médico, muitas pessoas no mundo têm o problema, mas poucas sabem disso. “No Canadá, a população até sabe que tem a doença, mas não tem ideia de como tratá-la. Então, essas pessoas são totalmente desassistidas”, comenta. 

Um estudo promovido pela Associação Canadense de Fibromialgia e Encefalomielite Miálgica mostrou que a síndrome da fadiga crônica é uma das mais incapacitantes e que os pacientes apresentam mais refratariedade na busca por médicos. 

“Além disso, é a doença que existe maior insatisfação com relação a tratamento médico convencional”, complementa o Dr. Mikhael.

Ainda de acordo com a Associação, a síndrome da fadiga crônica é mais incapacitante do que quadros de enfermos com AVC (Acidente Vascular Cerebral), DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e até câncer.

Fadiga incapacitante não é um mero cansaço

 

É normal se sentir cansado após uma série de exercícios físicos, um dia de trabalho ou uma longa viagem. Esses cansaços são inerentes a todo ser humano. Depois de ser exposto a uma série de atividades que exigem esforço — físico ou mental —, o organismo pede descanso. 

Tudo isso até pode desencadear em fadiga. Ela geralmente aparece após a realização dessas atividades corriqueiras — assim como na sequência de episódios de estresse prolongado ou privação de sono. Porém, a fadiga pode começar a surgir associada a atividades que, antes, não provocavam qualquer sinal extra de estresse. E aí está,  por exemplo, o caso do Dr. Mikhael Marques.

Quando isso ocorre, é o momento de estar atento. A fadiga mais intensa, mais prolongada e sem suceder alguma atividade que a provoque, é o sinal de que algo está errado. Mas, por definição, o que é a fadiga? É o nome que se dá a um sintoma que está caracterizado pela sensação de desgaste, cansaço e falta de energia.

 

O desgaste, físico e/ou emocional, pode estar diretamente ligado à fadiga

 

Nos últimos anos, a fadiga se fez cada vez mais presente na vida da população. Além das causas mais comuns já citadas, ela pode estar ligada a diferentes tipos de doenças ou condições. Inclusive, doenças como hipertensão, hipotireoidismo e até Covid-19. É preciso estar atento para saber a hora de procurar um médico.

Nove maneiras de combater a fadiga  de forma natural

 

Depois de ter entendido e testado as soluções naturais em si mesmo, o Dr. Mikhael passou a atender pacientes fatigados como ele. 

Longe da indústria farmacêutica, é perfeitamente possível combater os males da fadiga. Para isso, é importante conhecer mais a respeito de onze suplementos e como eles têm eficácia contra esse mal.

  • B12 – Trabalha para ajudar o corpo no metabolismo energético e assegura uma função cerebral adequada. Essa vitamina também estimula as defesas do organismo através da produção de glóbulos vermelhos e brancos.
  • Ferro – Trata-se de uma das deficiências nutricionais mais comuns no mundo. Baixos níveis de ferro no sangue não permitem por exemplo que as células e os tecidos recebam oxigênio suficiente, à fadiga e cansaço crônicos.
  • Coenzima Q10 – Fator crucial na produção de energia celular e na eliminação de radicais livres. Ela está em todas as células, mas em maior concentração no cérebro, coração e rins. 
  • Vitamina C – Ajuda a estimular as defesas do organismo e encurta a duração e a gravidade das infecções das vias respiratórias. Também tem uma importante função na eliminação de radicais livres e no aumento dos níveis de energia. Ajuda à manutenção de uma função suprarrenal adequada.
  • Ácido Fólico – Metabolicamente associado à vitamina B12. Embora esteja amplamente distribuído nos alimentos, sua deficiência é comum. Infelizmente ele é lembrada apenas no momento da gestação, e sua carência pode piorar a fadiga.
  • Magnésio – Essencial para ajudar a liberar a energia dos alimentos ingeridos, otimizando a digestão e absorção da comida.
  • Chá Verde – Usado tradicionalmente por vários povos, a Camellia sinensis pode ajudar em muitas situações, como fadiga, câncer e até para prevenção de fotoenvelhecimento.
  • Ginseng – Conhecido como um suplemento nootrópico com propriedades que estimulam o cérebro. Foi usado como erva medicinal durante milhares de anos para vários propósitos, mas com mais frequência como estimulante de energia mental. Considerada um adaptógeno por ajudar no controle do cortisol, assim como várias outras plantas.
  • Vitamina D3 –  Vitamina fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo. Sua carência é muito comum e pode além de vários problemas causar fadiga!

 

De volta à vivência do Dr. Mikhael Marques

 

Como o começo desta reportagem mostrou, o Dr. Mikhael Marques tem lugar de fala quando a pauta é fadiga. Não só por ser médico e um estudioso do assunto, mas também por viver com a síndrome. 

Além dos suplementos naturais já citados, o médico, hoje um dos especialistas da JOLIVI, destacou a importância do magnésio. De acordo com ele, a eficácia do nutriente no tratamento da fadiga crônica é ímpar.

“Ele é importantíssimo para o bom funcionamento das nossas mitocôndrias. Se você tem síndrome da fadiga crônica, com certeza você tem baixo de magnésio e não tem exame que vá mostrar”, pontua o médico.

É difícil dosar magnésio no sangue porque a avaliação do nutriente é, principalmente, pela clínica e não pelo exame laboratorial “Quando detectamos que o indivíduo tem sinais da falta do magnésio, é interessante suplementar. Claro que uma dieta à base de vegetais vai dar um aporte maior de magnésio. Porém, muitas vezes não é suficiente e a suplementação é necessária”, diz.

Como explicou o especialista, a alimentação inadequada pode piorar a síndrome da fadiga crônica. Então, uma dieta rica em antioxidantes e fibras, por exemplo, é muito importante nesse processo. Além disso, diminuir o consumo de produtos industrializados, carnes e gorduras ajuda.

A mudança de vida após o tratamento integrativo

 

A historiadora e terapeuta holística Carla Prestes da Costa descobriu ter a síndrome da fadiga crônica, o que desencadeou uma série de problemas de saúde. Porém, em janeiro de 2020 ela conheceu o trabalho do Dr. Mikhael Marques e conseguiu dar um outro rumo aos tratamentos contra a doença.

Em depoimento à JOLIVI, Carla conta que desde que começou a se tratar por meio da medicina integrativa, os sinais limitantes e incapacitantes oriundos da fadiga crônica diminuíram consideravelmente. Confira o relato:

 

Atenção!

 

Se você não tem a oportunidade de encontrar um médico de saúde natural ou integrativa, leve essas alternativas naturais ao seu médico de confiança e veja o tratamento que mais se encaixa no seu caso.

A CONTA da sua falta de energia chegou

Depois dos 50 anos, as pessoas se acostumam a passar os dias no sofá, porque pensam que ter vigor e energia são “coisa de gente jovem”. Mas o que elas nem imaginam é que essa preguiça crônica, dificuldade de respirar ao subir escadas e até as falhas na memória podem ser culpa da falta de um nutriente específico no corpo - algo que acomete a quase todo mundo que passa dos 50.

O Dr. Fernando Scremin explica aqui como reverter essa doença



Estudos que embasaram essa reportagem

 

  • ENOKA, R.; DUCHATEAU, J. Muscle fatigue: what, why and how it influences muscle function. J Physiol. v. 586, n. 1, p. 11–23, 2008.
  • HAWLEY, J.; REILLY, A. Fatigue revisited. J Sports Sci. v. 15, n. 3, p. 245-246, 1997

 

 

 

Pedro Bezerra Souza

Pedro Bezerra Souza

23 abril 2021

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