Ansiedade resolvida por meio da alimentação

Maior Menor

Quantas vezes o teu corpo te manda uma mensagem de que é preciso parar um pouquinho e este sinal – por pressa e em nome de outros compromissos – é negligenciado, silenciado, ocultado por completo?

O neurologista Ricardo Leme já alertou que há no mundo contemporâneo um novo sentido de urgência e uma relação com o tempo que contribui para agravar as doenças e torna-las crônicas.

Segundo ele, isso ocorre porque, além de um padrão alimentar questionável e uma dificuldade imensa de fazer exercícios físicos, também ficamos surdos na hora de escutar os sinais do nosso corpo.

Recomendo que assista a entrevista com o Dr. Ricardo Leme neste Café com Saúde.

Não só isso.

Esta atual relação temporal faz com que tudo, absolutamente tudo, exija uma resposta imediata. E quando esta resposta não vem, isso acarreta frustração (ainda que pequenininha), alimentando os nossos impulsos mais ansiosos.

Acha exagero?

Responda com sinceridade: quantos compromissos você coloca na sua agenda já sabendo que não vai cumprir e, mesmo assim, insiste em programa-los só por não saber dizer o que é prioridade?

Ou ainda (é preciso mais honestidade para responder aqui): quanto tempo você aguenta esperar, sem incômodo nenhum, por uma simples resposta no Whatsapp, sabendo que a mensagem por você enviada já foi lida pelo destinatário?

Acredite, dá para ser diferente e fazer da alimentação uma aliada verdadeira do combate à ansiedade.

Vença a ansiedade com a alimentação

850 vezes

Primeiro as explicações. De acordo com neurologista da Jolivi Dr. Nelson Annunciato , esta forma de organizar as demandas, sem nenhum gerenciamento de estresse, nos deixa ansiosos, pouco resolutivos e atrapalha tarefas básicas do dia a dia.

Isso abre as portas para um transtorno psiquiátrico cada vez mais comum nos dias de hoje: a ansiedade. O estresse diminui a produção de serotonina, substância esta responsável por sensações de bem-estar e calma.

Sem ela, nos tornamos mais ávidos por alimentos que imaginamos nos acalmar, entre eles os ricos em açúcar, sal, farinha branca e gorduras trans. Quem nunca foi orientado a tomar água com açúcar quando estava nervoso?

O problema é que esta busca pelo sabor doce como válvula de escape, se repetida sem consciência, causará compulsões alimentares e uma espécie de vício por este tipo de alimento. Fica então formado um ciclo ansioso que tem como integrantes a obesidade e a outras doenças correlacionadas ao ganho excessivo de peso (diabetes, câncer e dores em geral).

Veja também: Comece hoje a vencer a ansiedade e depressão

E mais…

Além de uma relação ruim com a comida, este comportamento alimenta ainda os números astronômicos de venda de ansiolíticos e calmantes, tipos de medicamentos que são vedetes das vendas farmacêuticas no Brasil.

Fiz alguns levantamentos e as curvas de crescimento sobre o comércio destas drogas terapêuticas são impressionantes.

No Sistema de Monitoramento de Produtos Controlados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é possível detectar que, em 2007, havia o registro de venda de 29 mil caixas do ansiolítico mais famoso entre os brasileiros. Em 2010, o número sobe para 10,5 milhões de embalagens vendidas.

Já em 2015, relatório da consultoria da IMS Health divulgado pela Revista Carta Capital mostrou a comercialização de 23 milhões de unidades da substância dispensadas nas farmácias brasileiras.

Os números indicam que em 8 anos, portanto, o crescimento das vendas de apenas um tipo de ansiolítico foi de 851 vezes!

E você? Percebeu que o número de ansiosos tem caído ou também convive com a sensação de que o problema está se multiplicando?

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Cérebro ou intestino?

É claro que as medicações vieram para ajudar quem realmente necessita delas, mas Dr. Nelson alerta que é inconcebível hoje você tratar depressão ou ansiedade, sem pensar em intervenções alimentares.

“Há um conhecimento sólido de que metade da serotonina e da dopamina – outra substância relacionada ao bem-estar- são produzidas também pelo intestino e não somente no cérebro como a maioria acredita”, explica o médico.

Eu sei. Você deve estar confuso. Eu também fiquei. O assunto de hoje é um transtorno de humor e, do nada, nós resolvemos colocar o intestino no meio da conversa. Mas acredite: a conexão entre o cérebro e sistema digestivo é forte, muito forte, porém nem sempre divulgada.

“Infelizmente, a psiquiatria ainda não destina a devida atenção que a alimentação precisa. Os transtornos psiquiátricos são um dos carros chefes da indústria farmacêutica e as abordagens com os pacientes, quase sempre, são exclusivamente medicamentosas”, completa o profissional.

Vença a ansiedade com a alimentação

Escolhas e exército da ansiedade

Isso significa que a escolha da comida anula, em 100%, os casos a necessidade de remédio? Não. O tratamento medicamentoso, por vezes, é necessário e as decisões precisam ser partilhadas com o seu médico de confiança.

Mas, para ser efetiva e trazer o bem-estar em plenitude é preciso que a mudança venha sempre em “combo”.

A melhora da ansiedade passa pelas escolhas alimentares. E para este processo de alteração de hábitos, aprendi com Dr. Nelson, existe um exército – formado por milhões e milhões de soldados – que mora dentro do nosso intestino.

Flora doente & flora saudável

Vamos lá.

A flora intestinal é a camada que reveste o seu intestino e nela habita um verdadeiro ecossistema de bactérias, que agem como “microssoldados”. Eles podem ser de dois tipos. Ou que brigam para te proteger ou que agem contra você.

As chamadas bactérias do bem aceleram o transito intestinal e impulsionam a produção da serotonina (a tal felicidade).

Já as maldosas – que se alimentam basicamente do açúcar que consumimos, vale dizer – empatam o processo, intoxicam o corpo e fazem o organismo ficar – literalmente – enfezado (cheio de fezes).

Para rechear o organismo de bactérias do bem, é preciso investir em comida de verdade (menos enlatados, processados, químicos e transformados), reduzir o consumo de açúcar, aspartame e ficar bem atento ao uso indiscriminado de antibióticos – este medicamento deve ser usado só quando necessário, porque para ter efeito ele mata todas as bactérias, incluindo as da turma do bem.

Dr. Nelson acrescenta que as vitaminas do grupo B, encontradas nos alimentos verde escuro, nas carnes e na beterraba também são bem associadas à prevenção e à reversão da ansiedade.

E para finalizar as recomendações de hoje, o médico sugere algumas indicações que – definitivamente – fazem do cardápio um aliado na hora de gerenciar a ansiedade.

Vença a ansiedade com a alimentação

Menu do ansioso

1) Corte a cafeína e outros estimulantes do sistema nervoso como nicotina, chá preto, mate, refrigerantes a base de cola. Se você já é ligado no 220, porquê precisa “ligar” mais ainda?

2) Limpe a dieta dos alimentos industrializados e priorize a comida de verdade (in natura). Que tal ficar uma semana sem consumir nenhum produto alimentício industrializado? Pode ser um bom começo.

3) Priorize os alimentos que fortalecem a flora intestinal como os ricos em pré e probióticos. Os probióticos estão presentes em alimentos como vegetais fermentados, iogurte natural integral, coalhada, natto e missô. Estes últimos, alimentos resultantes do grão ou da posta de soja fermentada.

Os prebióticos são também chamados de fibras não digeríveis como fruto oligossacarídeo e inulina. Estão presentes em alimentos de origem vegetal como cebola, alho, tomate, banana, cevada, aveia, trigo e mel.

A inulina também é extraída da chicória e pode ser produzida comercialmente e ser usada como substituto do açúcar.

Por fim, os simbióticos são aqueles que unem as funções prebióticas e probióticas (encontrados especialmente em suplementos de qualidade).

4) Invista em chás calmantes e relaxantes, como o chá de Melissa, Valariana e Passiflora.

Veja também: Comece hoje a vencer a ansiedade e depressão

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