Isso também partiu o seu coração?

Maior Menor
Mirela Leme

Mirela Leme

Coordenadora editorial

7 julho 2021

Coordenadora editorial

Não é amor e parece infarto; médico da Jolivi me contou o que você pode fazer hoje para evitar e tratar ‘nova doença’ que afeta seus batimentos

Dor no peito. Falta de ar.

Tenho uma pergunta, mas você pode me responder baixinho: o que, ou quem, já partiu o seu coração ao meio? 💔

Uma sensação de tristeza, mais os dois sintomas que abriram nossa conversa, podem ser um alerta que você está com uma síndrome que não tem sido lá muito discutida nos consultórios…

…ou você já ouviu falar da síndrome do coração partido?

Divórcio. Morte de alguém amado. Essas duas situações podem ser gatilhos (ou pontapé) para a manifestação desse problema.

Mas, de acordo com a Mayo Clinic, uma das mais conceituadas entidades médicas do mundo, outras situações podem partir o seu coração ao meio.

Ter 50 anos ou mais é por si só um fator de risco, assim como fazer sexo, e esses são os gatilhos do coração machucado:

  • Infecção por Covid-19 (de novo ela. O Dr. Carlos Schlischka me contou que até impotência a maldita causa);
  • Falar em público;
  • Perder de emprego ou dinheiro (ou até ganhar);
  • Violência doméstica;
  • Asma;
  • Pasme  — mentira, é óbvio que os medicamentos sempre fazem parte de uma lista que te coloca em risco —, o uso de medicamentos como epinefrina, duloxetina, levotiroxina; e
  • Eventos estressantes, para citar alguns.

Como o Dr. Carlos me contou, uma das suposições para a causa da síndrome do coração partido (também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo), é que com as emoções à flor da pele, o nosso corpo pode liberar adrenalina em excesso, o que pode causar uma pane momentânea na nossa saúde cardiovascular.

A síndrome do coração partido, como me explicou o Dr. Carlos, que está à frente do Protocolo Cardio, não é um infarto, apesar de muita gente achar que está sofrendo um.

“O infarto é diagnosticado pelo bloqueio da artéria cardíaca, mas é importante que, em caso de outros sintomas concomitantes aos já mencionados da síndrome, como batimentos cardíacos irregulares, que se busque um atendimento médico de urgência, principalmente e ainda mais se a pessoa for hipertensa ou tenha insuficiência cardíaca”, alerta o médico integrativo.

E os médicos que já conhecem a síndrome, o que eles recomendam? 

Betabloqueadores, um dos medicamentos prescritos para o tratamento de hipertensão que têm como efeitos colaterais coisas que eu sei que você não quer sentir: dificuldade para dormir, fadiga, queda na libido, e por aí vai…

…mas eu não vou continuar a sua lista porque não quero deixar o seu coração ainda mais triste, quero te ajudar de verdade!

Se você bate ponto nas nossas conversas da Jolivi, pode até adivinhar duas recomendações do Dr. Carlos Schlischka para corações partidos.

Vou acrescentar mais uma e teremos três.

A primeira, é bem óbvia: amor próprio! Sabe o cuidado que você tem com o seu carro, seu animal de estimação, sua casa? Amar e cuidar de você mesmo faz um bem enorme!

As outras duas, te apresento com evidência científica e uma dica de dosagem do Dr. Carlos Schlischka: vitamina D3 e ômega 3.

Ambas podem ajudá-lo a salvar o seu coração e estão entre as recomendações completas do Dr. Carlos em seu programa Protocolo Cardio. 

Uma pesquisa publicada por The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism reconheceu que 68% das mulheres com a síndrome tinham baixos níveis de vitamina D3. Essas mulheres tinham, em média, 67,4 anos.

Já ouviu falar de suplemento de graça? Ter bons níveis de vitamina D pode ser de graça, principalmente se você tem um quintal para chamar de seu. Para ter níveis protetores desse hormônio, basta se expor ao sol entre as 10h e 15h, por 15 minutos, com o corpo o mais descoberto possível.

No inverno — ou se você não tem um espaço para tomar sol — o ideal é que você verifique os seus níveis de vitamina D3 e opte pela suplementação. O Dr. Carlos sugere que seus exames de 25-hidroxivitamina D3 devem “apontar” para a partir de 60 ng/dl. Procure manter os níveis na média de 80 ng/dL.

Para a suplementação, você pode falar com o seu médico sobre o uso entre 5.000 a 10.000 UI/dia de vitamina D3 — dependendo dos resultados dos seus exames. A vitamina D3, lembra o Dr. Carlos, deve ser associada sempre à vitamina k2 (na dosagem média 100mcg), para evitar pedras nos rins e outras calcificações.

O ômega 3 também já ganhou status de protetor contra corações partidos.

Isso porque, assim como a deficiência de vitamina D3, o desabastecimento de ácidos graxos do ômega 3 — que podemos adquirir comendo sardinha — pode estar associado ao diagnóstico da síndrome, como publicou a revista Circulation em 2018.

Se uma meta-análise publicada na revista científica Current Atherosclerosis Reports associou a ingestão de 566 mg de ômega 3 (considerando EPA e DHA) ao dia a um risco 37% menor de morte por doença coronariana, imagina se um bom suplemento de ômega 3 não pode mesmo remendar o seu coração.

Se precisar da gente para colocar a linha em uma agulha bem fininha, volte aqui sempre.

Me promete que vai cuidar do seu coração?

 

Referências:

  • Dande AS, Sena SF, Wasserman HS, Warshofsky MK, Belsky JL. Prevalence and consequences of vitamin D insufficiency in women with takotsubo cardiomyopathy. J Clin Endocrinol Metab. 2013 May;98(5):E872-6. doi: 10.1210/jc.2013-1082. Epub 2013 Mar 12. PMID: 23482610;
  • Curr Atheroscler Rep (2008) 10: 503
Mirela Leme

Mirela Leme

Coordenadora editorial

7 julho 2021

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