A largada foi dada e haja passiflora para ansiedade

 

No intervalo entre um segundo e outro, fez-se a saúde

 

A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega

No momento em que eu queria ver

O segundo que antecede o beijo

A palavra que destrói o amor

Quando tudo ainda estava inteiro

No instante em que desmoronou

Click…

Estava de fone de ouvido, na companhia da trilha ‘Cuide Bem do Seu Amor’, de uma de minhas bandas preferidas, Os Paralamas do Sucesso.

Mas arrisco dizer que, mesmo com o som nas alturas, foi possível perceber o barulho da minha ficha caindo.

Click…

Não fazia nem 15 minutos que havia deixado o consultório do meu ex-médico de confiança.

Confesso.

Estava bem “p” da vida e com aquela sensação clichê de que a saúde é um bem efêmero e não durável que a gente só valoriza quando perde.

E foi aí que me dei conta.

Até aquele momento, eu tinha sido enganado por uma falsa ideia do que é a “boa vida” e do que é “cuidar da saúde”.

Minha geração, em especial, foi convencida a acreditar que ganhou tempo extra de sobrevivência. E que, apesar da morte permanecer um fenômeno certeiro, a longevidade parece se mostrar como uma condição garantida a todos os mortais.

 

Há, há, há

 

Veja.

Nasci em 1979 e, segundo as estatísticas brasileiras de expectativa de vida, vou morrer em 2054.

Essa é a minha linha do tempo regida por um começo, um meio e um fim.

Até pouco tempo atrás, me sentia um refém da genética e achava que “cuidar da saúde” era uma necessidade só para quando estivesse próximo desta última ponta, lá pelo ano 2050.

Nesta vida sem freio que me levava, me arrastava, me cegava – como cantava Herbert Vianna no meu iPad – havia me esquecido completamente do meio.

E, em uma teimosia resignada, pensava assim: tudo bem, no futuro eu me cuido.

Como se saúde só existisse quando já virasse doença. E como se a morte certa fosse uma justificativa forte o bastante para deixar o intervalo para lá.

Mas, entre o nascimento e o último batimento cardíaco, existe um caminho. E é nele que está a necessidade de cuidado.

Isso parece óbvio, mas não é recorrente.

Parar de fumar, decidir finalmente fazer aquela caminhada pela manhã e descobrir quais são os alimentos capazes de extirpar o cansaço, o peso e as dores não é uma espécie de poupança para a aposentadoria.

O resultado é para hoje, pois fazer o inverso, pode resultar em antecipação de problemas.

Pior do que é a morte é ter a vida abreviada, passei a perceber mais e mais enquanto a ficha caia.

Lembrei dos dados de pessoas com menos de 50 anos que enfartam “de forma fulminante” (são 11 casos por dia, mostrou o meu incômodo levantamento feito no banco do Ministério da Saúde).

Fulminante?

O que seria um ataque fulminante em uma gestão de saúde que o cuidado é um plano futuro que nunca chega?

São anos provocando o coração, sobrecarregando os vasos sanguíneos, maltratando o cérebro, desidratando os pulmões e consumindo cartelas e cartelas de medicamentos sem sentido.

No entanto, quando a fatura chega, é dito de forma muito contundente que a tal pane cardíaca foi “de repente”.

Veja, apesar de estar me dando conta de que eu estava alimentando diariamente um provável derrame que seria chamado de “imprevisível” pelos meus familiares e por mim mesmo, não quero aqui colocar mais culpa nos meus ou nos seus ombros.

Não se trata de ser ou não culpado pelas escolhas.

Trata-se de informação, controle e autonomia.

É preciso mudar, não importa em que fase da vida esteja.

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Escutei do Dr. Leonardo Aguiar, o nosso consultor aqui na Jolivi, que “música é o que ocorre no intervalo entre as notas musicais”.

Com Herbert Vianna em “Cuide Bem”, percebi que a correria da vida não permite que a gente veja o que separa “um instante inteiro” de quando tudo desmorona.

E na Jolivi eu entendi que isso sim é saúde.

Se você tem uma oportunidade agora de melhorar a sua qualidade de vida, abrace.

Não que amanhã possa ser tarde demais.

Porém, tratar sequela é diferente de realmente cuidar da saúde.

E isso está naquele instante que você não vê.

Mas sente, ô se sente….

E não e esqueça.

Amanhã volto com você.

Um abraço e parabéns por sua decisão!

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