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15 doenças que o extrato da maconha, o canabidiol, trata

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Editora

Apesar do preconceito, o canabidiol e outros componentes da cannabis podem combater diversas doenças, inclusive ansiedade, epilepsia, diabetes e dores crônicas. Entenda o poder da “maconha medicinal”.

Depois de tentar diversos tratamentos convencionais, um sem número de pacientes descobriram na cannabis medicinal uma saída para seus problemas de dores crônicas, epilepsia, ansiedade e até mesmo dificuldades de memória.

A ciência caminha para descobrir cada vez mais efeitos benéficos do canabidiol e outros componentes da “maconha medicinal”. No entanto, pelo menos no Brasil, ela costuma ser freada por preconceito e forte resistência da indústria farmacêutica.

Na última terça-feira (8), a Comissão Especial da Câmara de Deputados aprovou texto que libera o cultivo de cannabis por empresas para fins medicinais. No entanto, a decisão foi apertada: 17 a 17, com desempate do relator e promessa do presidente Jair Bolsonaro de vetar a matéria, caso seja aprovada no Senado.

A resistência não reflete os inúmeros benefícios da terapia com canabidiol e outros componentes da “maconha medicinal”. “94% dos pacientes relatam alívio efetivo para dezenas de problemas de saúde diferentes, sem presença de efeitos colaterais”, afirma o Dr. Wilson Rondó Jr., nutrólogo e especialista Jolivi.

O que é o canabidiol?

O canabidiol, ou CBD, é um dos princípios ativos da Cannabis sativa — nome científico tanto da maconha quanto do cânhamo. Para que se tenha ideia, a planta contém mais de 100 compostos ativos naturais diferentes, chamados fitocanabinoides — o canabidiol (CBD) é apenas um deles.

O cânhamo já vem sendo utilizado para fins gerais há muitos anos, incluindo a produção de alimentos, roupas e até combustíveis.

Porém, o estigma veio a partir dos anos 1930, quando a planta foi classificada como substância controlada nos Estados Unidos devido ao efeito psicoativo — que não é causado pelo CBD mas, sim, por outro fitocanabinoide, o tetrahidrocanabinol (THC).

Aliás, a principal diferença entre cânhamo e maconha está na quantidade de THC — a primeira, utilizada para fins medicinais, precisa ter menos de 0,3% de THC em peso. Já a segunda é mais utilizada para fins recreativos, mas também pode ter efeitos benéficos em alguns pacientes.

Diante da confusão, todos os benefícios conhecidos até então ficaram encobertos por um manto de obscurantismo. Até hoje, o plantio de todos os tipos de Cannabis sativa é proibido no Brasil, sendo liberada para uso medicinal em alguns casos, e apenas de forma extremamente controlada.

Por isso, é importante frisar que lançar mão do CBD para fins medicinais não tem nada a ver com fumar maconha para uso recreativo.

Por aqui, um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 2014, quando uma mãe ganhou na Justiça o direito de importar CBD para tratar sua filha, que sofria de epilepsia grave. A garota, que enfrentava até 80 crises por dia, viu o canabidiol praticamente zerando este número.

O estigma com a Cannabis sativa veio a partir dos anos 1930, quando a planta foi classificada como substância controlada nos Estados Unidos devido ao efeito psicoativo — que não é causado pelo CBD mas, sim, por outro fitocanabinoide, o tetrahidrocanabinol (THC).

Por que o canabidiol funciona?

Em 1992 — há quase 30 anos —, a reconhecida revista Science publicou um importante estudo que mostrou como o canabidiol interage com o corpo. A descoberta foi reveladora: nós temos uma complexa rede de receptores chamados canabinóides, que afetam as células do corpo inteiro, incluindo cérebro, pulmões, fígado, rins, sistema imunológico e sistema nervoso central.

Este sistema libera os chamados canabinóides endógenos, ou endocanabinóides, que são produzidos naturalmente pelo corpo e atuam como mensageiros químicos.

Aqui entra o CBD: a substância ativa estes receptores e, de acordo com o Dr. Rondó, essa atividade influencia na regulação do metabolismo, da dor, ansiedade, compulsão, crescimento ósseo e até mesmo função imunológica. O resultado é o equilíbrio do corpo como um todo.

Por outro lado, quando o sistema endocanabinóide não funciona bem, há desequilíbrio — e o corpo sente.

Canabidiol para uso medicinal: as inúmeras doenças que o canabidiol trata

Segundo o Dr. Wilson Rondó Jr., já existem evidências científicas de que o canabidiol pode tratar inúmeros males, como:

  1. Dores;
  2. Ansiedade;
  3. Insônia;
  4. Diabetes;
  5. Enxaqueca;
  6. Estresse;
  7. Artrite, osteoartrite ou artrite reumatoide;
  8. Distúrbios neurológicos degenerativos, como distonia;
  9. Esclerose Múltipla;
  10. Fibromialgia;
  11. Distúrbios oculares;
  12. Doença de Parkinson;
  13. Síndrome do Cólon Irritável;
  14. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT);
  15. Epilepsia e convulsões.

A seguir, veja no detalhe algumas doenças que podem ser tratadas com o canabidiol.

Canabidiol contra diabetes

Um estudo com duração de 5 anos, conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School no Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston (EUA), observaram os seguintes resultados em pacientes com diabetes que usaram cannabis medicinal:

  • Maior controle de glicemia;
  • Redução em 16% do nível de insulina;
  • Melhora em 18% no metabolismo da insulina;
  • Menor circunferência abdominal;
  • Melhores níveis de HDL.

E não faltam outros estudos que dão alicerce à descoberta. Em outro, da Universidade da Califórnia, os pesquisadores observaram que os usuários de cânhamo tinham até 330% mais chances de ter um nível de açúcar no sangue mais saudável do que o grupo que não utilizou a planta medicinal. Para tanto, foram avaliados 10.896 adultos.

Canabidiol para ansiedade, depressão e humor

Depois de conviver mais de 15 anos com depressão severa e Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG), Maria Luiza já havia testado uma gama imensa de remédios alopáticos: Sertalina, Fluoxetina, Venlafaxina, Escitalopram, Bupropiona, Desvenlafaxina, Trazodona, Zolpidem, Quetiapina, Clonazepam… Eles até a estabilizavam por um tempo, mas logo uma chuva de efeitos colaterais invadiam seu corpo.

“Esses efeitos não eram fracos. Tirar a criatividade, te transformar em um robô apático, falta de libido, engordar, eu experimentei de tudo. Mas, como minhas questões são crônicas, me recusei a viver os próximos anos da minha vida tendo que gerenciar efeitos colaterais”, afirma.

Foi quando ela descobriu o óleo de CBD. “No começo eu tive preconceito, mas essa era minha última alternativa”, diz. E deu certo: além de controlar os sintomas da depressão e ansiedade, Maria Luiza voltou a dormir normalmente — algo que já não experimentava há anos.

O que Maria Luiza viveu na prática já vem sendo descrito por inúmeros estudos. O Dr. Rondó explica que o CBD tem a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, se ligando aos receptores endocanabinóides no cérebro, melhorando a saúde neurológica e reduzindo a ansiedade.

Canabidiol para melhorar o sono

De acordo com o Dr. Rondó, o CBD age reduzindo a excitabilidade no cérebro e em vários neurotransmissores que estão envolvidos com um ciclo normal de sono.

Mais uma vez, diversos estudos mostram essa relação, como um recente, publicado no jornal científico Frontiers in Molecular Neuroscience.

Canabidiol para perda de memória

Conforme o cérebro envelhece, cresce também o acúmulo de uma proteína chamada beta-amiloide no tecido cerebral. Ela está ligada ao mal de Alzheimer e bloqueia os endocanabinóides no cérebro – aqueles citados no início da matéria, que são tão importantes para o equilíbrio do organismo.

Este processo aumenta a dificuldade de aprendizado e memória. Para pesquisadores da Stanford University, nos Estados Unidos, “quando a atividade do sistema canabinóide diminui, apresentamos um rápido envelhecimento no cérebro”.

Aqui entram os chamados exocanabinóides, ou seja, canabinóides que são ingeridos, como os encontrados na cannabis. Eles abastecem os receptores canabinóides, reequilibrando este sistema.

Canabidiol contra dores crônicas

Diversos pacientes que convivem com dores há anos — e, até então, sem perspectiva de melhora — encontraram na cannabis medicinal um alívio para seu tormento.

Essa relação vem sendo comprovada por diversas pesquisas. Uma delas, publicada no reconhecido jornal científico PAIN, apontou que pacientes que utilizavam “maconha medicinal” — dois terços deles com dores crônicas — relataram benefícios à saúde, incluindo melhoria do gerenciamento da dor e do sono.

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Referências:

G1. Comissão da Câmara aprova texto que libera cultivo de cannabis por empresas para fins medicinais. Link: https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/06/08/comissao-da-camara-aprova-liberacao-de-cultivo-de-cannabis-para-fins-medicinais-por-empresas.ghtml

Wilson Rondó e Mirela Leme, Jolivi. Remédio Natural: Dr. Rondó supera preconceito e indica planta polêmica.

CBD Daily. Cânhamo x Maconha: Qual É a Diferença? Link: https://dailycbd.com/pt-br/canhamo-vs-maconha/

G1. Justiça autoriza remédio derivado da maconha para menina com epilepsia. Link: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/04/justica-autoriza-remedio-derivado-da-maconha-para-menina-com-epilepsia.html

Time Magazine. Marijuana: The Next Diabetes Drug? Link: https://healthland.time.com/2013/05/21/marijuana-the-next-diabetes-drug/

Front. Mol. Neurosci., 22 July 2020. Cannabinoids, Endocannabinoids and Sleep. Link: https://doi.org/10.3389/fnmol.2020.00125

PAIN. Chronic Pain Patients’ Perspectives of Medical Cannabis. LInk: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5845915/

Ana Paula de Araujo

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