O que é ter saúde de verdade?

Maior Menor

Todo dia ele acorda e faz tudo sempre igual

Prepara três refeições para o café da manhã

Em seguida vai para a academia, cuida das plantas em seu jardim, passeia descalço na praia sob a luz do sol

Então, arruma uma poderosa salada no almoço, trabalha no computador em pé, em cima de uma prancha flexível (para não passar tempo demais sentado)

Por fim, usa seus óculos protetores de luz branca durante a noite antes de dormir.

O trecho acima poderia ser uma versão da música Construção, de Chico Buarque, adaptada para a rotina de um homem tido hoje como o exemplo do ser “supersaudável”. Mas trata-se do trecho de um videodocumentário chamado “Um dia na vida do Dr. Mercola”.

Dr. Joseph Mercola é um médico norte-americano bem conhecido que produz informações importantes sobre o comportamento alimentar e nutricional (eu as utilizo bastante em minhas pesquisas). Mas assim que vi o vídeo, uma pulga enorme se alojou bem atrás da minha orelha.

Se você está aqui conosco na Jolivi há pelo menos 15 dias, este texto de hoje é especialmente dedicado. Porque acredito mesmo que – sem esta reflexão que vou propor agora – ficamos por um triz de cometer um erro crucial. E esta minha ficha começou a cair quando li a carta aberta que o Daniel Amstalden escreveu sobre a verdade do envelhecimento. (Se você perdeu, veja aqui)

Quem é assim de verdade?

Você me conhece e sabe que sou um grande entusiasta da vida saudável. Mas aquilo que vi sobre a rotina de Dr. Mercola não fez muito sentido para mim. Sim, é muito coerente aplicar na vida aquilo que você prega em seu trabalho.

O problema para o qual eu gostaria de chamar a atenção é: a vida NÃO é só cuidar da saúde. Precisamos ficar atentos porque, da mesma forma que a indústria farmacêutica deturpou o conceito de saúde transformando-o em um indicador de doença, hoje é tudo muito obscuro quando falamos sobre o que é “ser saudável”. Pode parecer contraditório, leitor, você escutar isso justamente da Jolivi, o canal em que você confia para este fim.

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Mas não é um contrassenso não. É fundamental termos isso em mente para que não tornemos a nossa saúde apenas mais uma das válvulas de escape de um comportamento nocivo e prejudicial. Comportamento este tão corriqueiro em nossa sociedade.

Veja o meu ponto. Para mim, encarar a saúde como um objeto de consumo é uma das sequelas desta conduta. E com este pano de fundo, “ser saudável” é “vendido” como uma possibilidade tão possível como “ter um corpo bonito” ou um “carro luxuoso”.

É desta forma que vejo muitas dessas personalidades “saudáveis” se comportando nas redes sociais. No “dia ideal” do Dr. Mercola, por exemplo, tudo o que vemos é ele, sempre sozinho, cuidando da própria saúde. Não o vimos lidando com seus problemas, não vimos a família, os amigos, a comunidade.

Sim, eu quero ter saúde. Mas não acho uma boa ideia ter que viver dessa maneira para isso. E se eu trabalho diariamente para produzir recomendações de saúde VERDADEIRAS e oferecê-las de forma aprofundada em nosso Dossiê Saúde Essencial (Você pode saber mais o que é Dossiê, clicando no botão abaixo), se tornou urgente para mim ter esta conversa com você.

QUERO CONHECER O DOSSIÊ

La garantia soy…

Tenho uma pergunta para você. O que nós, todos os seres vivos vivendo neste planeta, temos em comum? O que nos aproxima? Sim, vamos pensar juntos.

O que uma planta está buscando quando se estica para alcançar a luz, ou uma aranha procura ao produzir uma teia mais estável? Quando você dá uma coçadinha na cabeça e ajusta a coluna na frente do computador, o que você está buscando realmente? Qual é o seu propósito quando pensa em um projeto novo ou ainda quando se prepara para uma festa?

No fundo, no fundo, é sempre a mesma coisa. Todos queremos evitar o sofrimento e ser felizes.

E, como sociedade, ainda pensamos muito pouco sobre quais são os elementos que nos aproximam da felicidade real. A ciência já nos traz algumas indicações interessantes de que são as relações que cultivamos em vida os melhores indicadores de uma vida feliz – como reforça o médico de família e comunidade Michael Yaari nesta entrevista.

Será que “ter saúde a qualquer custo” seria um caminho direto para a felicidade? Essa é a promessa quando alguém investe TODO seu tempo e suas fichas buscando cuidar melhor da sua saúde, certo?

Mas se a duras penas já conseguimos (alguns de nós) compreender que ter um carro do ano ou um corpo bonito não é garantia de felicidade, é duro ter que dizer isso, mas a saúde – por si só – também não. Por mais que você esteja saudável.

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Os nãos

Sim leitor. Não teremos saúde para sempre. Se você tiver sorte – como diz a médica especializada em cuidados paliativos Ana Cláudia Quintana Arantes – você também irá envelhecer.

Digo sorte porque, afinal, nossa vida pode ser abreviada de muitas outras maneiras que não podemos prever. Não se trata de pessimismo, mas apenas de encarar a realidade com os olhos bem abertos.

E por que dizer tudo isso, prezado leitor? Para te apresentar qual é o meu propósito verdadeiro e o que eu busco como seu editor na Jolivi. Quando eu participo do desenvolvimento de um Dossiê Saúde Essencial, não quero te ajudar a se transformar no maior modelo de saúde do Planeta. Em uma espécie de Superman dos bons hábitos.

Como eu já falei aqui, isso não iria funcionar e seria falso também. A ideia não é que você se torne um neurótico, mas que esteja apto a preservar a saúde para poder cuidar com muito mais integridade de todos os outros aspectos da sua vida que realmente importam. Fazendo uma analogia com os quadrinhos, que você consiga ser um Clark Kent equilibrado e capaz de lidar com as adversidades reais.

Quero, sim, te ajudar a entender que, como o maior responsável pela sua saúde, as pequenas atitudes que você escolher tomar a partir de AGORA são aquelas que podem afetar mais profundamente a sua sensação de bem-estar a curto, médio e longo prazo. Como me contou o neurologista Fabiano Moulin durante uma conversa aqui na Jolivi, nunca é tarde demais para começar. “O que a gente sabe é que é mais difícil correr atrás, mas nunca é tarde. Antes tarde do que muito tarde”, garantiu.

Portanto, se você também fica angustiado quando vê estes “modelos vencedores” de saúde nas redes sociais, não se assuste. Não é preciso bancar o superhomem ou a supermulher. O que conta mesmo, na vida real, são as pequenas escolhas.

– O que você opta por colocar no carrinho do supermercado.

– O que você coloca no seu prato.

– Como você decide usar seu tempo livre.

 

Aliás, o que vai no seu prato na próxima refeição?

 

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