Caminhos possíveis para as dores que você sente

Maior Menor

Durante aquela primeira semana de agosto, dia em que (finalmente) os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro iriam começar, uma pergunta marcou o burburinho nas rodinhas de amigos: Quem iria acender a tocha olímpica no estádio Mário Filho, o histórico Maracanã?

As apostas variavam bastante, mas um nome pipocou bastante: Pelé. Eu sempre torci por Varderlei Cordeiro de Lima (que, merecidamente, acendeu a pira), Gustavo Kuerten e Hortência. (Na verdade, eu acertei todos! Deveria ter apostado com alguém rs). Mas é verdade que cogitei que a escolha seria pelo jogador de futebol mais famoso do mundo.

Antes mesmo da cerimônia começar, o chamado “atleta do século” afirmou que não participaria do evento por conta de dores. Não sei se o motivo foi este mesmo, mas a versão que se tornou oficial foi a de que Pelé não esteve presente naquelas horinhas em que o centro da Terra era o Brasil porque o Edson não estava bem.

(Ah! Se você acha que sentir dor é algo comum e esperado para todas as pessoas que já passaram dos 65 anos, sugiro enfaticamente para que você leia esta carta aqui sobre a verdade do envelhecimento).

Bom, a verdade é que pode ser que outros brasileiros, um pouco mais anônimos que o Pelé, tenham se identificado com as dores do Edson. Talvez, você seja um deles.

Em minha avaliação baseada no alto consumo de analgésicos e anti-inflamatórios de hoje, acredito mesmo que a dor seja o elo entre os atletas de escritório e os atletas olímpicos. Por isso, reservei este encontro para te contar que existem caminhos possíveis para aquela dor que você se sente, por mais que as experiências individuais com ela sejam diferentes.

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Vento que sopra para mudanças

Existe esperança por mais que as dores sejam subjetivas, crônicas, difíceis de localizar. Ainda que elas apareçam sem avisar causando até mudanças de planos e impedindo que determinadas experiências sejam vividas, sempre há caminhos.

A primeira coisa que precisamos ter em mente é que a dor é um sinalizador. Por trás das sensações ruins, existe um coro dentro do seu organismo pedindo por mudanças. Aprendi em minhas pesquisas que a dor, querido leitor, é o ápice da inflamação. Portanto, o primeiro passo é respirar fundo e encará-la como ela é e tudo aquilo que ela está denunciando. De forma sorrateira, seu corpo está mendigando por mudanças.

(Um adendo. Neste momento, eu não estou falando sobre aquelas “dores boas”, sobre as dores pós-treino. Vamos falar delas no fim desta publicação. Ok?)

Ouvi outro dia uma explicação bem interessante da Drª Patrícia Vieira – médica e educadora física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com especialização em dor pelo Hospital Albert Einstein. Segundo ela, quando falamos de dores crônicas – aquelas que têm uma duração igual ou superior a 3 meses – precisamos de um novo olhar, uma visão que compreenda a história da pessoa e que vá além do que está acontecendo fisiologicamente.

Dra. Patrícia – que, em sua prática, promove um diálogo entre as práticas da medicina tradicional e das orientais, como Shiatsu e Jin Shin Jyutsu) – contou para o meu amigo e nosso editor Daniel Cunha que a medicina integrativa faz uma abordagem que traz para si aspectos que estão longe do meio acadêmico da medicina tradicional.

Pensando nisso, ela elencou uma série de conselhos para as pessoas que sofrem com as dores crônicas. Quem sabe elas possam te ajudar. Vamos lá:

1) Estilo de vida: como dissemos, as dores sinalizam que algo não está bem. Por isso, mudar a alimentação, praticar atividades, mudar a forma com que você lida com os problemas e as soluções são caminhos;

2) Equilibrar melhor a relação entre o sono e a quantidade de atividades que você faz em um mesmo dia;

3) Melhorar e aumentar o envolvimento com a natureza, pelo menos aos fins de semana;

4) Pratique meditação como uma alternativa terapêutica mesmo. O mindfulness tem ajudado muitas pessoas que sofrem com dores crônicas;

5) Prestar mais atenção na respiração, por mais que ela aconteça de forma involuntária. Quando partimos deste princípio, fica mais fácil olhar para gente mesmo e identificar o que realmente deve ser prioridade em nossas vidas.

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Respirando

Falando em respiração, volto a um assunto que já dediquei uma e-letter completa: a ioga. Além de ser melhor do que qualquer remédio, a ioga trabalha, essencialmente, a respiração.

De forma resumida, estas técnicas te ajudam a adquirir uma nova consciência sobre seu corpo e suas limitações. Ora, a dor, por muitas vezes, traz limitações e, consequentemente, frustrações. Tendo um conhecimento melhor de suas capacidades, fica mais fácil de lidar, de ganhar coragem e, principalmente, de superar limites.

Se está na procura de alguma atividade ou para sair definitivamente do sedentarismo ou para amenizar as dores, tente a ioga. As pesquisas mostram que, depois de conhecer esta prática indiana milenar, as pessoas costumam a se interessar por outras atividades e hábitos mais saudáveis.

Pela boca

Além dos exercícios físicos, recebi algumas dicas de ouro do neurocientista e nosso leitor querido Nelson Annunciato. Após partilhar algumas experiências doloridas, Nelson nos contou que alguns alimentos evitam o aparecimento da fibromialgia e também diminuem as dores (Assista a este Café com Saúde especial que a Fernanda Aranda gravou com o Dr. Carlos).

Estes alimentos são ricos em CoQ-10 (coenzima Q10), que é uma enzima produzida pelo corpo. Essa substância, que tem sua produção diminuída após os 30 anos, pode ser também suplementada (atenção, sempre procure orientação médica para isso), mas é encontrada em alguns alimentos bastante comuns em nossa cultura alimentar.

– órgãos internos (fígado);

– peixes gordos (sardinha, cavala);

– nozes e pistache;

– legumes;

– sementes de gergelim;

– sementes de girassol;

– repolho, cebola, espinafre

– couve de Bruxelas, brócolis;

– óleo de palma (dendê).

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Inspiração

Enfim, dá para ver no semblante dos atletas olímpicos que eles estão sentindo dores. Na realidade, muitas dores. A vida de atleta consiste em superar limites, incluindo os físicos. Quando estamos saindo da zona de conforto do corpo, é difícil mesmo não sentir dor. É praticamente impossível.

Mas, é importante não deixar que a dor seja um fator desmotivador durante o processo de saída do sedentarismo ou em um novo desafio. E aqui, novamente, a respiração ajuda bastante e irmos além da dor de um novo exercício ou série. É importante lembrar de não colocar todas as dores no mesmo balaio. Com consciência corporal, você vai entender quando a dor é óssea ou muscular.

E para todos os atletas (olímpicos ou amadores) existe um poderoso remédio chamado gelo. Mesmo naqueles dias em que não está doendo, mas que você sabe que a região está mais propensa a dores, faça 15 minutinhos de gelo. E se elas persistirem, você já sabe: procure um médico e se esforce bastante para tentar desvendar qual é o recado do sintoma dolorido.

As boas

Prometi que iria voltar nas dores boas e cá estou. Com elas, podemos ser bem breves. Digo que elas são boas porque esse tipo de dor vem contar para gente que o treino foi efetivado com sucesso. Ou seja, não precisa temê-las. Mas para amenizar, use gengibre. Pode ser no chá ou mesmo em alguma receita. Segundo um estudo do The Journal of Pain, dois gramas é suficiente.

 

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